Cresce pressão de petistas contra retorno de Delúbio

Para governador de Sergipe, ''ninguém com juízo'' aceitará ex-tesoureiro de volta; presidente, incomodado, destacou assessor para minar refiliação

Tânia Monteiro e Vera Rosa, O Estadao de S.Paulo

26 de março de 2009 | 00h00

O governador de Sergipe, Marcelo Déda, engrossou ontem o coro dos petistas contrários ao retorno do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares às fileiras petistas. "Ninguém com juízo pode estar satisfeito com a volta do Delúbio", afirmou Déda, que nesta semana conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o assunto. Lula também acha que a cúpula do PT deve negar a refiliação a Delúbio - expulso no rastro do escândalo do mensalão, em 2005 - por acreditar que sua volta, neste momento, prejudicaria a campanha da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência."Um partido que quer continuar governando tem que ter os pés no presente, os olhos no futuro e não voltar para trás", insistiu Déda. "O PT já sangrou muito, já sofreu muito. É necessário bom senso para perceber que uma sigla com a responsabilidade política que o PT tem hoje precisa ter todas as forças concentradas no apoio a Lula e na construção de 2010."Delúbio reivindica a anistia para se candidatar a deputado federal por Goiás, em 2010, mesmo ano da eleição presidencial. O pedido divide o PT, mas, embora cause constrangimento na seara petista, será examinado na próxima reunião do Diretório Nacional, nos dias 23 e 24. Se não conseguir abrigo no PT, a tendência é que o ex-tesoureiro se filie a um partido menor, da base aliada governista.Lula incumbiu o assessor especial para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, vice-presidente do PT, de convencer colegas da inconveniência de reintegrar Delúbio agora. Em conversas reservadas, disse que a decisão seria "um tiro no pé" do PT e do governo.HOMEM DE CONFIANÇAA contrariedade de Lula é mais pelo desgaste político que a volta do tesoureiro pode representar às vésperas de ano eleitoral do que pela condenação de suas atitudes. O presidente afirma que nunca existiu mensalão e Delúbio fez, como tesoureiro, o que todos os outros partidos fizeram em campanhas com "recursos não contabilizados" - um eufemismo para caixa 2. Detalhe: foi Lula que indicou Delúbio, dirigente da CUT, para a tesouraria do PT, porque ele era homem de sua confiança.A carta de Delúbio ao PT, na qual ele afirma cumprir um "degredo doloroso há mais de três anos", animou outros petistas que tiveram de se desfiliar após uma sucessão de escândalos. Desde a semana passada, a cúpula do PT foi informada de que o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira e o ex-chefe de gabinete do senador Aloizio Mercadante (SP), Hamilton Lacerda, também querem voltar. Silvinho caiu na crise do mensalão e Lacerda envolveu-se no escândalo dos "aloprados", referente à compra de um dossiê contra os tucanos, na campanha de 2006 ao governo paulista.

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