Cresce o uso dos Correios para tráfico de drogas

O chamado tráfico "formiguinha", no qual a droga é transportada em pequenas quantidades, vem sendo cada vez mais utilizado por criminosos que usam os serviços internacionais dos Correios para distribuir entorpecentes.Somente neste ano, os funcionários do Serviço de Remessas Postais Internacionais, da Receita Federal, que funciona no prédio central dos Correios, no Jaguaré, zona oeste de Sao Paulo, apreenderam 90 quilos de cocaína despachados de São Paulo para o exterior, e 2.500 comprimidos de ecstasy mandados da Inglaterra e da Holanda para São Paulo.O volume de correspondência despachada é muito maior do que o número de apreensões. As quadrilhas utilizam diversos meios para enganar os responsáveis pela fiscalização da correspondência.Quase toda semana, os funcionários da Receita Federal, nos Correios, encontram cocaína dentro do forro de carteiras, em material elétrico e em utensílios como ferro de passar, fornos e liqüidificadores.Até potes de creme hidratante e produtos de higiene feminina já foram usados para mandar drogas para fora do País. O quilo da cocaína enviada através dos Correios chega a US$ 100 mil.O ecstasy chega a São Paulo em capas de livros, caixas de disquetes e correspondência pessoal. Segundo o chefe do Serviço de Remessas Postais, Fábio Marchini, a remessa desses comprimidos, provenientes principalmente da Holanda, aumentou muito neste ano."Nós fazemos as apreensões e depois passamos o material e os endereços para a Polícia Federal", declarou Marchini. Segundo ele, seus funcionários contam até com métodos de checagem eletrônica para impedir a ação dos criminosos.A cocaína apreendida tem como destino, em sua maioria, países africanos como Nigéria, Benin, Camarões, Gana, Mali, Moçambique, Angola e África do Sul. Os endereços dos remetentes, escritos pelas pessoas que despacham as encomendas, não existem."Sabemos que dificilmente a polícia consegue identificar os responsáveis pelo envio e também pelo recebimento", afirmou Marchini.Em agosto, um livro postado em Londres com 500 comprimidos de ecstasy foi apreendido pela equipe do serviço de remessas. O endereço para a entrega era a caixa postal de um estudante no Campo Belo, bairro da zona sul de São Paulo. O estudante foi localizado pela PF e negou ter encomendado a publicação.

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