Cresce o número de mulheres chefes de família em SP

Cresce cada vez mais o número de mulheres que estão chefiando famílias na capital, independente da classe social. Entre as famílias pobres, 36,1% delas têm a mulher como principal provedora. Nas famílias ricas, o índice fica em 14,6%. A idade da maioria dessas mulheres, acima de 40 anos, é o ponto em comum dessas famílias paulistanas. As informações estão em um estudo inédito realizado pela Secretaria do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade da Prefeitura de São Paulo, sobre desigualdade de gênero e programas sociais. Com base em dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego do Dieese e da Fundação Seade, o documento mostra que a participação de mulheres como chefes de famílias pobres - com renda per capita de até meio salário mínimo - aumentou 20,3% entre 1989 e 2001. Entre as famílias ricas (com renda familiar superior a 20 salários mínimos mensais), houve um crescimento de 57%. Em 2001, entretanto, observa-se que menos de 15% do total de famílias na condição de riqueza são chefiadas por mulheres. Pobreza agravadaConsiderando a distribuição das famílias segundo o grau de escolaridade, houve maior crescimento para aquelas com maior escolaridade nas famílias pobres. Isso ocorreu especialmente para as mulheres chefes de família com nove a onze anos de estudos (59,8%) e de mais de 12 anos de estudos (29,7%). O problema da pobreza nas famílias chefiadas pela mulher agravou-se principalmente entre as provedoras mais jovens. Houve maior crescimento na participação feminina entre 21 e 39 anos de idade (37,7%) e entre 16 a 20 anos (26%). Entretanto, de acordo com o estudo lançado hoje, é na faixa de 40 anos ou mais que se concentra a maior participação de mulheres à frente das famílias pobres (39,8%). A região de Jabaquara e Vila Mariana registra o maior aumento de mulheres como principais provedoras, com um crescimento de 55,3% entre 1989 e 2001. Já a região da Sé e Santana/Tucuruvi apresentaram queda na participação feminina.As regiões de Itaquera/Cidade Tiradentes e Santo Amaro/Socorro apresentam menos mulheres à frente de famílias pobres (32,8% e 32,7%, respectivamente), enquanto as regiões Sé (44,2%) e Lapa/Pinheiros (50,7%) possuem a maior participação feminina. Famílias ricasNas famílias ricas, 17,3% delas são chefiadas por mulheres com idade igual ou acima de 40 anos. Na faixa etária de 21 a 39 anos, a presença feminina como principal provedora é inferior a 8%. O estudo mostra que houve maior aumento na participação de famílias chefiadas por mulheres abastadas com 12 anos ou mais de estudos, que passou de 4,1% em 1989, para 13,4% em 2001. Por outro lado, caiu o número de mulheres com nove a onze anos de estudos à frente das famílias ricas (18,6% para 14,4%), enquanto para a faixa de até oito anos de estudos, registra-se a maior presença de mulheres chefiando famílias (20,8%). Em relação à distribuição geográfica, verifica-se que nas regiões de Itaquera/Cidade Tiradentes e Freguesia do Ó/Brasilândia houve uma redução da participação da mulher, de 15,8% para 12,1% e de 15% para 6,6%, respectivamente.Nas demais áreas da cidade, registrou-se um aumento. Lapa/Pinheiros foi a região recordista, passando de 2,7% em 1989 para 15,8% em 2001. É na região de Jabaquara/Vila Mariana que se concentram as famílias ricas chefiadas por mulheres (18,6%). Queda em homicídiosO estudo mostra ainda que, nos dois últimos anos, os programas sociais da Prefeitura Municipal de São Paulo que foram instalados em 50 dos 96 distritos administrativos deram um resultado indireto no número de homicídios. Segundo o documento, houve redução na taxa total de homicídio (-10,7%), assim como no número de homicídios contra mulheres (-11%). Nos demais distritos, a queda foi menor, de 7,7% e 2,2%, respectivamente.

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