Cresce o número de brasileiros que se identificam como negros

A década de 90 registrou um crescimento significativo dos brasileiros que se identificam como "pretos", mostram os resultados do censo. Em dez anos, a proporção da população que se considera dessa cor/raça pulou de 5% para 6,2%, chegando a 10,4 milhões em 2000. E, segundo avaliam os técnicos do IBGE, a transformação ocorreu porque, nesse período, houve um aumento da consciência e afirmação dos negros brasileiros. A elevação surpreendeu até mesmo os especialistas na área, porque pesquisas anteriores indicavam que o grupo de "pretos" estava diminuindo. A expectativa é que essa seria a tendência para o futuro. Mas, segundo o IBGE, o aumento de 1,2 ponto porcentual da década é significativo e indica que os negros devem continuar crescendo.Para a pesquisadora do IBGE Nilza de Oliveira Martins Pereira, a mudança nos números foi fruto da conscientização da população negra nos últimos anos. "Eles começam a saber qual é a importância de se diferenciar entre pardo e preto e se afirmam como grupo", afirma. Segundo Nilza, ficou claro que a parcela de novos pretos saiu do grupo de pardos, já que houve redução significativa da população "parda" (42,6% para 39,1%) e um aumento sem relevância na "branca" (51,8% para 53,8%). "Parece correto afirmar que algumas pessoas deixaram de se identificar como pardas e estão se afirmando como negras. E isso é curioso porque as pesquisas que tínhamos antes mostravam exatamente o contrário. Parecia que os negros iam acabar", opina Rosana Heringer, coordenadora do Centro de Estudos Afrobrasileiros da Faculdade Cândido Mendes, no Rio.O Estado mais representativo dessa mudança é a Bahia. Na década de 90, o porcentual de "pretos" pulou de 10% para 13%. A Bahia tem a maior proporção de negros e também o maior porcentual da soma de pardos e pretos (75% dos baianos). Uma transformação grande porque até o censo de 1991 o líder em negros era o Rio. O perfil do negro brasileiro em 2000, no entanto, está muito próximo do que existia há dez anos. A maioria é homem, jovem e mora principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Houve mudanças também em outros grupos minoritários. O Censo 2000 também revela grande aumento do tamanho da população indígena. No início da década de 90, os índios eram 240 mil. Passaram para 701 mil. Os técnicos do IBGE alertam que ainda é arriscado para saber se o real crescimento foi exatamente esse porque a amostra ainda é pequena (apenas 108 mil domicílios), o que leva a altas margens de erro. "Ainda é arriscado afirmar que o crescimento foi exatamente esse, mas os dados indicam que o aumento deve ter sido grande", explica Nilza Pereira.

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