Cresce número de crianças obesas com diabete

Os efeitos do crescimento daobesidade entre crianças já começam a ser notados nos serviçosde saúde do País. Levantamento feito pelo Ambulatório deObesidade Infantil do Hospital das Clínicas de São Paulo revelaque, das 49 crianças atendidas regularmente no serviço, 42 jáapresentavam os primeiros sinais para o desenvolvimento dadiabete tipo 2. Um dado preocupante, principalmente quando seleva em conta que a doença, até pouco tempo, era associadaapenas a adultos obesos. "Corremos o risco de ter um crescimento expressivo donúmero de diabéticos jovens e, com isso, também do número deenfartes ou outros problemas relacionados à doença em pacientescada vez mais moços", alerta o chefe do Grupo de Obesidade eDoenças Metabólicas do HC, Alfredo Halpern. As 42 crianças atendidas no Ambulatório de ObesidadeInfantil apresentavam sinais de resistência à insulina. Hormônioproduzido pelo pâncreas, a insulina é essencial para que aglicose possa entrar na célula. Em alguns pacientes, para que aglicose possa entrar, é preciso uma dose maior de hormônio."Sobrecarregado, com o tempo o pâncreas pode interromper aprodução da insulina." Geralmente, a resistência à insulina ocorre em obesos.Os motivos são vários. "O tecido gorduroso também produzhormônios, que podem alterar a resistência à insulina. Quantomaior a quantidade desse tecido, mais difícil é o ingresso daglicose nas células" Halpern diz que até hoje viu poucas crianças com diabetetipo 2. "Mas a tendência, com aumento da obesidade na infância,é ver esse número aumentar." Ele lembrou o caso dos EstadosUnidos, onde atualmente 15% das crianças obesas desenvolveramdiabete tipo 2. Além da maior propensão à diabete, em crianças obesastambém é notado o aparecimento de outros fatores de risco paraproblemas cardiovasculares. Em um estudo feito com 103 criançasestudantes de escolas particulares de São Paulo, constatou-seque 53% das obesas ou com sobrepeso apresentavam taxas alteradasde colesterol. "Hoje sabemos que a obesidade afeta crianças de todasas camadas sociais", diz o endocrinologista. Ele cita um estudocoordenado por ele, com 206 estudantes de escolas públicas eparticulares de São Paulo, entre 10 e 13 anos. "Do total, 31%estavam com peso inadequado, com diferenças mínimas entre osgrupos de estudantes", conta. O aumento da obesidade infantil é atribuídoprincipalmente à mudança da alimentação. "Diminuímos a ingestãode carboidratos e aumentamos o consumo de gorduras", diz. "Sevoltássemos ao cardápio do brasileiro, com arroz e feijão, bifee salada e abandonássemos os pratos gordurosos, certamente essequadro poderia ser modificado."

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