Cresce número de casamentos no Brasil, aponta IBGE

O número de casamentos realizados no Brasil manteve a trajetória de expansão em 2005 e cresceu 3,6% em relação ao ano anterior. Esse resultado se deve, em parte, à prevalência de uma maior estabilidade econômica entre a população. De acordo com as Estatísticas do Registro Civil, divulgadas nesta terça-feira pelo IBGE, em 2005, foram realizados 835.846 casamentos no País. Em contrapartida, o número de separações judiciais concedidas foi 7,4% maior do que em 2004. O estudo aponta também uma tendência de ligeira queda em relação às mortes de homens por causas violentas - homicídios, suicídios e acidentes de trânsito - no País. No entanto, entre as mulheres, esse tipo de óbito cresceu levemente. Entre os jovens, os índices também diminuíram em relação a 2002. Por outro lado, a cobertura dos registros de nascimento no Brasil vem sendo ampliada nos últimos anos, de acordo com o IBGE. Casamento e estabilidade Os técnicos do instituto apontam, em documento de divulgação dos dados, que o aumento no número de casamentos segue uma tendência observada desde 2001 e resulta, em parte, da legalização de uniões consensuais. Em várias unidades da Federação, segundo o IBGE, vêm ocorrendo casamentos coletivos, decorrentes de parcerias entre prefeituras, cartórios e igrejas. "Além disso, a prevalência de uma certa estabilidade econômica nos últimos anos favorece o crescimento dos casamentos", concluem os técnicos. O mês de dezembro manteve a tendência observada nas três últimas décadas de ser o mês de maior ocorrência de casamentos. Do total de uniões realizados em 2005, 85,9% eram de cônjuges solteiros, porcentual pouco inferior ao de 2004 (86,4%). Comparando os dados do período entre 1995 e 2005, observou-se uma tendência de queda contínua nos casamentos entre solteiros, com pequena desaceleração em 2003. Aumentaram também as uniões legais entre solteiros e divorciados. De 1995 para 2005, o porcentual de mulheres solteiras que se casaram com homens divorciados passou de 4,1% para 6,2% do total de casamentos, enquanto que o de mulheres divorciadas que se uniram legalmente com homens solteiros cresceu de 1,7% para 3,1%. Os casamentos entre cônjuges divorciados também aumentaram de 0,9% para 2,0% do total. Divórcios e separações O número de separações judiciais (100.448) concedidas em 2005 no País foi 7,4% maior do que em 2004, de acordo com a pesquisa. Os divórcios concedidos também tiveram acréscimo, de 15,5%, em relação a 2004, passando de 130.527 para 150.714. Na região Norte, o crescimento dos divórcios foi de 17,8% e na Sudeste, de 21,8%. No Nordeste (15%), Sul (5,8%) e Centro-Oeste (2,9%), os porcentuais de aumento de divórcios ficaram abaixo da média nacional. No que diz respeito à natureza dos divórcios, 76,9% das separações judiciais concedidas em 2005 foram consensuais; 22,9% se caracterizaram como não-consensuais; e 0,02% não tiveram natureza declarada. A região Nordeste foi a que teve o maior porcentual de separações judiciais não-consensuais (35,1%), enquanto no Sudeste a maior proporção foi de separações consensuais (79%). Ainda de acordo com a pesquisa, a média de idade dos casais nas separações judiciais e nos divórcios seguiu a tendência da década passada. Para os homens as idades médias foram 38,5 anos na separação judicial e 42,9 anos no divórcio. Entre as mulheres, as idades médias foram 35,4 e 39,4 anos, respectivamente. Violência e mortalidade A mortalidade masculina por causas violentas é 3,6 vezes superior à das mulheres pela mesma causa, segundo aponta o levantamento. Apesar do patamar ainda elevado de morte de homens por causas violentas, a tendência é de ligeira queda. Em nível nacional, de 2002 a 2005, a proporção de óbitos masculinos relacionados a causas violentas caiu de 16,2% do total de óbitos masculinos para 15,5%. Entre as mulheres, as proporções se mantiveram praticamente estáveis ao longo de todo o período, com valores levemente superiores a 4%. De acordo com a pesquisa, em 1990, cerca de 60% dos óbitos masculinos ocorridos na faixa etária de 15 a 24 anos estavam relacionados às causas violentas. Esse valor sobe sistematicamente, chegando em 2002 a atingir uma proporção de 70,2%, mas declinando para 68,7% em 2005. No ano passado, a incidência de mortes violentas continuava sendo mais elevada no Rio de Janeiro, onde a taxa de mortalidade entre jovens do sexo masculino, de 15 a 24 anos, alcançava a cifra de 227,4 óbitos por 100 mil habitantes, levemente superior ao observado em 2004 (225,0). Em seguida, estavam os Estados do Espírito Santo (203,2), Pernambuco (188,2), Paraná (163,2) e Mato Grosso do Sul (154,9). São Paulo, que em 2004 apresentou uma taxa de mortalidade de 177 óbitos por 100 mil habitantes, reduziu esse valor em 22%, para 138 óbitos por 100 mil habitantes. Entre 2004 e 2005, a maioria dos Estados teve redução na mortalidade entre os jovens de 15 a 24 anos, segundo mostra a pesquisa. As exceções foram Santa Catarina, com um aumento de 5%; Paraíba, com 4,2%; Goiás, com 2,2% e os Estados do Pará, Paraná, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte, com aumentos de cerca de 1% em média. O Amazonas se destacou com um aumento significativo de 45% na mortalidade entre os jovens do sexo masculino nessa faixa etária específica. Nascimento e registro A cobertura dos registros de nascimentos no País vem sendo ampliada nos últimos anos, segundo mostra a pesquisa divulgada nesta terça-feira. Essa melhoria decorre não só do próprio declínio da fecundidade, mas principalmente da realização de diversas ações com vistas à universalização desses registros. Segundo avaliam os técnicos do IBGE no documento de divulgação da pesquisa, a estimativa de cobertura dos registros de nascimentos passou de 80,6% em 2000, para 88,5% em 2005. Ou seja, de todos os bebês nascidos no ano passado, 88,5% foram registrados no mesmo ano. As Estatísticas do Registro Civil reúnem informações relativas aos nascimentos, mortes, casamentos, separações judiciais e divórcios ocorridos no País. Os dados são coletados em cartórios de registro civil, varas de família, foros ou varas cíveis e permitem o acompanhamento da evolução populacional, bem como o planejamento de políticas públicas.

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