Cresce número de acidentes aéreos no Brasil

A aviação civil brasileira registrou aumento de 21,4% no número de acidentes em 2001, emcomparação com 2000. Esse índice é 19,4 vezes maior do que o crescimento da frota no período: 1,1%. Foram 70 acidentes em 2001, e 55 em 2000. Na maioria dos casos, eram aviões pequenos ouhelicópteros. A frota da aviação: 10.371 unidades, em 2000, e 10.478, em 2001.O balanço é do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão central do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Sipaer) no Brasil. O Cenipa também é subordinado ao Estado-Maior do Comando da Aeronáutica.A estatística abrange um período de 11 anos, de 1990 a 2001. Inclui a aviação comercial regular, das grandes companhias, e a aviação geral, composta por pequenos aviões, helicópteros,planadores. Aviação experimental e estrangeira não entram na estatística.O balanço mostra que de 1990 a 1999 os acidentes tiveram queda contínua, ano a ano - de 181, em 1990, para 49, em 1999. A tendência, porém, se inverteu: em 2000, foram 55 acidentes, 6 amais do que no ano anterior, e, em 2001, 70. As análises sobre o aumento dos acidentes em 2001provocam divergências. O major aviador Luiz Cláudio Magalhães Bastos, chefe da Seção de Elaboração de Dados do Cenipa, afirma que o número de acidentes "ainda é pequeno". Segundo ele, "o aumento de 15 acidentes de 2000 para 2001 não significa que houve uma piora no nível de segurança de vôo da aviação civil brasileira".O Coordenador da Comissão de Segurança deVôo do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias, Ronaldo Jenkins de Lemos, pensa diferente. "O aumento foi muito grande,da mesma forma que a queda de 98 para 99." Como argumento, Bastos entende que os números teriam grande dimensão se mostrassem, por exemplo, crescimento de 1.500 para 2 mil acidentes por ano.Quanto aos motivos que levam ao crescimento do número de acidentes, as explicações não são objetivas. "Há uma hora em que não tem como não ter acidentes", diz Bastos. "Foram situaçõesfortuitas", afirma Jenkins, para quem não houve relaxamento nas atividades de prevenção.Na aviação comercial regular, segundo Bastos, ospassageiros podem ficar "tranqüilos", porque o segmento "é extremamente seguro". Ele diz que os índices de segurança para transporte de passageiros no Brasil são melhores do que os demuitos países desenvolvidos.Outros índices também aumentaram em 2001,quando morreram 75 pessoas nos acidentes, ante 48 em 2000 - um crescimento de 36%. Em 2001 o porcentual da frota de aviões civis envolvida em acidentes foi de 0,67% - 0,14 ponto porcentual maior do que o índice de 0,53% de 2000. O número de aparelhos perdidos em acidentes aeronáuticos também saltou de 21, em 2000, para 39, em 2001 (46,2%).

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