Cresce irritação da base aliada com o governo

Líderes demonstram descontentamento com a condução das denúncias contra ministérios; já se fala em CPI articulada pela base aliada para 'dar o troco' no governo

Denise Madueño, de O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2011 | 17h13

BRASÍLIA - A operação da Polícia Federal (PF) no Ministério do Turismo, que resultou na prisão de 38 pessoas, provocou declarações indignadas dos líderes da base do governo, reunidos na tarde desta terça-feira, 9, e desconfiança da atuação do governo junto aos aliados. Setores da base começaram a falar na criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar corrupção no governo.

"As três meninas superpoderosas ficam achando que estão fazendo faxina e bonito para a sociedade. Estão achando lindo! Mas não entenderam que não podem liquidar com o espectro político nacional em troca de ficar bem com a sociedade", afirmou um aliado, resumindo o clima na base. O parlamentar se referia às ministras da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, de Relações Internacionais, Ideli Salvatti, e à própria presidente Dilma Rousseff.

Ao líder governista, Cândido Vaccarezza (PT-SP), na reunião, os líderes mostraram a preocupação da base com a série de denúncias que a cada semana atinge uma pasta comandada por partido aliado ao governo. Nesse tom, contaram que há conversas nos bastidores de alguns deputados que começaram a defender uma CPI. "Em algum momento, essa CPI vai sair pelas mãos da base. Alguns líderes já estão falando nisso, mas não será agora", disse um participante da reunião, sem querer ter o seu nome revelado.

Uma CPI conduzida pelos partidos seria uma forma de dar o troco ao governo. Os líderes reclamam do procedimento que vem sendo adotado. "Se há irregularidade, chama o cara e diz: 'tira esse mané e põe outra pessoa'. Ninguém vai compactuar com o que estiver errado", afirmou um participante da reunião.

Até agora, as denúncias atingiram o Ministério dos Transportes, sob comando do PR, da Agricultura e do Turismo, chefiados pelo PMDB, das Cidades, do PP. O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), disse que o governo também foi surpreendido com a operação no Ministério do Turismo. "O PMDB, nesse episódio, não responsabiliza o governo. O governo não tem culpa. A decisão saiu de um juiz de Macapá", disse Eduardo Alves.

Na reunião, os líderes defenderam particularmente o ex-deputado e Secretário Nacional de Programas de Desenvolvimento do Turismo do ministério, Coubert Martins (PMDB-BA). Eles consideraram que, há apenas dois meses na pasta, Martins apenas deu fluxo a um processo de dois anos atrás.

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