Cresce a preferência pelo casamento sem papel passado

Casamento sim, documento não. A opção do brasileiro por não oficializar as uniões conjugais cresceu ao longo da década. Em 1991, 18,3% das pessoas que viviam com um cônjuge tinham uma união apenas consensual. Esse porcentual subiu para 28,3% em 2000. São 19 milhões de homens e mulheres que optaram por unir-se a um parceiro, mas sem compromisso diante do juiz ou do padre. A maioria ainda é de casados no civil e no religioso, mas esse porcentual caiu de 57,8% para 50%. Há 17,3% que optaram pelo casamento só no civil e outros 4,3% que declararam terem se casado apenas em cerimônia religiosa.Entre os 136,4 milhões de brasileiros com 10 anos ou mais de idade, quase metade (49,4%) vive com um cônjuge. O Censo mostrou que as mulheres casam, formal ou informalmente, muito mais cedo. Até os 34 anos, é maior o índice de mulheres com cônjuge do que de homens. Na faixa dos 15 aos 19 anos, nada menos do que 15% das moças já têm algum tipo de união conjugal, enquanto o índice é de apenas 3,3% entre os rapazes. Em 2000, havia 1,3 milhão de um total de 8,7 milhões de garotas nessa idade vivendo com um cônjuge, sendo 904 mil em uniões não formalizadas. Entre os rapazes de 15 a 19 anos, que somam 8,9 milhões, apenas 298 mil viviam em união conjugal. Uma dado curioso levantado pelo Censo 2000, embora a coleta de dados ainda não tenha sido concluída, é o registro nos questionários de 86.762 crianças de 10 a 14 anos que vivem em união conjugal, sendo 72.307 meninas e 14.435 meninos. Desse total, 10.181 crianças teriam se casado no civil e no religioso.Se o alto índice de casamento entre as adolescentes foi um fenômeno dos anos 90, de outro lado os números mostram que quanto mais velhas as mulheres, menor o porcentual de casadas (formal ou informalmente). Entre as mulheres de 45 a 49 anos, 70% vivem em união conjugal, enquanto entre os homens o porcentual é de 84,3%. Já na faixa dos 50 aos 54 anos, a proporção é de 66% de mulheres casadas para 84,2% de homens. Na faixa de 70 anos ou mais, 71% dos homens vivem com cônjuge, enquanto entre as mulheres o porcentual é de apenas 28%. Um dos fatores é o fato de que a expectativa de vida feminina é bem mais alta, o que significa que as mulheres ficam viúvas e acabam não casando novamente. Outro fator é que as mulheres que se separam não se casam de novo com tanta freqüência quanto os homens. "Esta diferença (de proporção de homens e mulheres mais velhos que vivem em união conjugal) expressa um comportamento social amplamente reconhecido quanto à dificuldade de recasamento das mulheres a partir de uma certa idade", diz o relatório do Censo 2000.O mapa dos casamentos informais do País feito pelos técnicos do IBGE revela que a região Norte é a campeã em porcentual de pessoas que não oficializam suas uniões, ficando entre 38% e 57% do total de homens e mulheres que vivem com cônjuges. Os índices mais baixos de casamentos não legalizados estão em Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais, ficando entre 17,4% e 23%. Essa divisão mostra que o casamento não oficializado não é necessariamente reflexo da modernização da sociedade.O censo também perguntou o estado civil dos entrevistados, revelando que 54,2% dos 136,4 milhões de brasileiros com 10 anos ou mais de idade declaram-se solteiros, 37,2% dizem ser casados, 3,7% desquitados, separados divorciados e 4,6% viúvos. A pesquisa mostra que as uniões informais - em boa parte, portanto, entre pessoas solteiras - é mais comum entre os jovens e vai diminuindo à medida que aumenta a faixa etária da população.

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