Crédito e educação podem reduzir desigualdade

Os indicadores sociais da década de 90 anunciados na quarta-feira pelo IBGE mostraram que, em vez de se aproximar de uma situação com distribuição mais justa da renda, os brasileiros ficaram no mesmo lugar. Essa questão, a mais inquietante do relatório, abre caminho para um debate: é possível reverter esse quadro. Na opinião de dois economistas consultados pelo Estado, isso ocorrerá com medidas nas áreas de educação, crédito e acesso à terra. Os números do IBGE indicam que as 760 mil pessoas que compõem a parcela mais rica da população ganharam em 1999 o total de R$ 5,2 bilhões.Por outro lado, os 38 milhões de brasileiros da camada mais pobre receberam R$ 5,6 bilhões. Ou seja, os mais ricos tiveram renda média mensal de R$ 6.900 e os mais pobres ganharam apenas R$ 147. Na última década, os rendimentos dos trabalhadores aumentaram 40% em média, tanto para os pobres quanto para os ricos. Mas as disparidades foram mantidas. Para os economistas Francisco Ferreiro, da PUC-RJ, e Marcelo Néri, da Fundação Getúlio Vargas, essa elevada concentração é reflexo da desigualdade no acesso à educação, à terra e ao crédito. Sem esses três recursos, a população pobre não chega ao mercado de trabalho e não tem como produzir.Mais informaçõesLeia Também:Educação enfrenta o desafio da qualidade Para servente, escola garante futuro melhor Classe média tem milhões de ?ricos? em todo o País Diferença de renda é menor no Amapá

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.