Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Cratera em São Paulo provoca ataques a Doria com foco nas eleições

Com argumentos parecidos, apoiadores de Jair Bolsonaro e o diretório estadual do PT aproveitaram a cratera aberta em obra do metrô na marginal Tietê para ampliar o desgaste na imagem do governador de São Paulo

Davi Medeiros, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2022 | 09h13
Atualizado 02 de fevereiro de 2022 | 19h53

Adversários políticos do governador João Doria (PSDB) enxergaram na cratera aberta na marginal Tietê nesta terça-feira, 1º, uma oportunidade para gerar desgaste à gestão estadual. Aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros presidenciáveis exploraram o incidente para desqualificar a imagem do tucano paulista como postulante ao Planalto. Nas redes sociais, políticos de extrema direita à esquerda radical convergiram em torno do termo “selo PSDB de qualidade” e pediram investigação sobre o ocorrido. 

O tom eleitoral das críticas visa não apenas Doria, mas também a pré-candidatura do atual vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB), que deve assumir o Executivo em abril e disputar a reeleição. Os tucanos estão à frente da gestão paulista desde 1995, com a eleição de Mário Covas (1930-2001).

De acordo com levantamento da consultoria Bites, no dia do ocorrido, foram 27,1 mil menções ao acidente nas obras do metrô. Dessas, 4,71 mil faziam menção direta ao governador. O pico das publicações aconteceu nas primeiras horas após o desabamento até às 11h. Já hoje, 2, até às 18h09, foram 6,53 mil menções ao desmoronamento na plataforma - 556 mencionando diretamente o governador.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) reproduziu o vídeo do desmoronamento na obra da Linha-6 Laranja do Metrô, dando destaque à cratera em suas redes sociais. Mesmo sem mencionar diretamente o nome de Doria, a publicação foi recebida como um aceno ao governador e inundada de comentários críticos ao gestor paulista.

No Twitter, bolsonaristas tentaram emplacar a hashtag "#ChamaOTarcisio", fazendo referência ao candidato de Bolsonaro ao governo do Estado, Tarcísio de Freitas. Atual ministro da Infraestrutura, ele esteve com o presidente em São Paulo na terça-feira para acompanhar os desdobramentos das chuvas no Estado, que causaram deslizamentos e mortes no último fim de semana.    

O secretário da Cultura do governo federal, Mario Frias, sugeriu que, “ao contrário de Bolsonaro”, Doria está mais preocupado em obter palanques eleitorais do que com a população. O ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles e a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) também se manifestaram sobre o tema e lançaram críticas ao governador. 

Também bolsonarista, o deputado estadual Gil Diniz anunciou que vai colher assinaturas para protocolar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a culpabilidade de Doria no desabamento. Diniz defendeu que o governador deve ser responsabilizado e, indiretamente, também visou atingir a pré-campanha de Garcia:  “Precisamos extinguir o PSDB do Estado de São Paulo”, publicou. 

O deputado estadual Douglas Garcia (PTB) compartilhou imagens da cratera acompanhadas do termo “selo PSDB de qualidade” e disse que avalia acionar o Ministério Público para solicitar investigação. “O descaso do PSDB de João Doria para com a segurança e dinheiro do pagador de impostos de SP é criminoso”, escreveu o parlamentar. 

Alinhado ao governo Bolsonaro, Douglas Garcia sublinhou que deu voto contrário à contratação de empréstimo para melhorias do sistema metroviário na Assembleia Legislativa: “Meu voto foi não por saber que este dinheiro seria mal gasto. O tempo confirmou que eu acertei”.

O diretório estadual do PT também saiu ao ataque. Assim como os bolsonaristas, o partido foi às redes sociais pedir investigação e responsabilização do governo Doria pelo ocorrido. Parlamentares da legenda foram na mesma linha e culparam o tucano pela abertura da cratera. O deputado estadual Paulo Fiorilo afirmou que o desmoronamento representa a “obra padrão de ano eleitoral do PSDB”. Já o deputado federal Alexandre Padilha citou “descaso” com a população. 

Na própria terça-feira, o Ministério Público de São Paulo instaurou um inquérito civil para apurar as causas do acidente, abrindo o flanco para mais desgaste ao governo paulista. O cenário ainda pode se deteriorar mais para Doria, dado que a defesa civil teme a existência de risco nos imóveis residenciais e empresariais no entorno da cratera.

O governador paulista destacou que não há registros de vítimas pelo desmoronamento e, sem responder diretamente às críticas que recebeu, afirmou ter pedido  apuração imediata das causas do acidente e cobrado a concessionária responsável pela obra, junto à prefeitura da capital, para reiniciar os trabalhos com segurança e "o mais breve possível".

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