CPMI da JBS quer acareação entre advogado e delator

Comissão pretende colocar o advogado Willer Tomaz e o executivo da J&F Francisco Assis frente a frente para confrontar versões

Thiago Faria, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2017 | 11h53

BRASÍLIA - O presidente da CPMI da JBS no Congresso, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO),  pretende realizar uma acareação entre o advogado Willer Tomaz de Souza e o diretor jurídico do grupo J&F, Francisco Assis e Silva. O objetivo é colocar delator e delatado frente a frente para confrontar suas versões.

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Souza, que advogou para a Eldorado, empresa da holding J&F, é suspeito de intermediar o pagamento de propina ao procurador Ângelo Goulart Villela, investigado pelo vazamento de dados de investigações em curso contra a empresa.  De acordo com as delações da JBS, o grupo contratou o advogado pelo fato de ele ter bom trânsito com integrantes do Judiciário em Brasília e, especialmente, por sua relação com o procurador Villela, que atuava na Operação Greenfield. O objetivo seria conseguir o arquivamento das investigações contra executivos do grupo na operação.

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O advogado prestou depoimento na quarta-feira, 4, a parlamentares por cerca de três horas e meia. A reunião foi secreta e não pôde ser acompanhada por jornalistas.

Segundo os relatos de quatro parlamentares que acompanharam a sessão, Souza apontou irregularidades em sua prisão e acusou o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot de ser seletivo ao apresentar gravações e mensagens contra ele no processo. Ainda segundo os relatos, o advogado mostrou áudios e transcrições de conversas com executivos da JBS que teriam sido omitidos por Janot.

 “(O depoimento) É muito grave no meu modo de ver. Isso sinaliza algo que eu sempre entendi como correto que é a existência de um complô que envolveu uma série de pessoas”, afirmou Marun a jornalistas ao deixar a reunião. “São empresas e até membros de instituições que visavam derrubar o presidente Michel Temer.”

De acordo com os parlamentares, Souza chegou a chorar em vários momentos e disse que sua prisão foi “ilegal”. “Fiquei surpreso com o que ouvi hoje. A prisão é grave porque, pelo que ele disse, havia um complô para prendê-lo, inclusive com a citação a senadores com foro privilegiado”, disse Ataídes. “Ficou claro que delação tinha como alvo o presidente Michel Temer.”

Souza foi preso no dia 18 de maio, na Operação Patmos, após o empresário Joesley Batista apontar Souza como intermediário da propina a Villela. O procurador é suspeito de receber pagamentos mensais de R$ 50 mil para beneficiar a empresa. Os dois foram soltos em agosto, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

‘ACORDÃO’ 

Para o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), porém, o que se viu na sessão secreta foi um “jogo de cartas marcadas” para atacar as investigações do Ministério Público Federal.

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"O que eu vi foram os parlamentares do PT, do PSDB e do PMDB, os principais partidos implicados na Lava Jato, conspirando contra o MP, junto com um réu que estava lá depondo", disse Randolfe. “O que assisti do depoimento e das intervenções foi um jogo de cartas marcadas que tem um fim combinado: acabar com o instituto das delações premiadas como existe hoje e acabar com qualquer investigação contra poderosos.”

Ao final do encontro, Ataídes minimizou os protestos de Randolfe. Segundo ele, o senador da Rede apareceu apenas no fim da reunião e não acompanhou o depoimento na íntegra.

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