CPMF fica prejudicada com saída de Mares Guia, diz especialista

Segundo o cientista político, ministro 'vinha fazendo bom trabalho e circulava bem em vários setores'

Elizabeth Lopes, da Agência Estado,

22 de novembro de 2007 | 17h35

A saída de Walfrido dos Mares Guia do Ministério das Relações Institucionais representa uma perda importante para o governo Lula e deve prejudicar as negociações para a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) no Senado Federal. A avaliação é do cientista político e professor da Universidade Federal da Minas Gerais (UFMG) Fábio Wanderley Reis. "Mares Guia vai fazer falta como articulador político, porque vinha fazendo um bom trabalho e circulava bem em vários setores", destacou. Apesar da afirmação, o cientista político acredita que a prorrogação da CPMF será aprovada pelo Congresso Nacional, mesmo com todos os entraves que o governo está enfrentando, sobretudo a resistência da oposição. "Eu acredito que a CPMF deverá ser prorrogada porque os próprios governadores da oposição trabalham nos bastidores para a aprovação da medida, com vistas às próximas eleições presidenciais (2010) e porque temem perder uma receita desse porte (cerca de R$ 40 bilhões anuais)", disse Fábio Wanderley. Mares Guia já havia avisado o presidente Lula de que iria deixar o cargo de articulador político do governo, caso seu nome fosse incluído na denúncia oferecida pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Além de Mares Guia, o ex-governador de Minas Gerais e senador pelo PSDB, Eduardo Azeredo, também teve seu nome incluído na denúncia que apura o escândalo conhecido como mensalão mineiro. Com relação ao impacto da denúncia do chamado mensalão mineiro, o professor da Universidade Federal de Minas Gerais acredita que os reflexos serão pequenos, inclusive para o PSDB. "Nem mesmo no auge do escândalo do mensalão, que envolveu figuras importantes do governo e do Partido dos Trabalhadores, houve conseqüências no quadro eleitoral. E agora, o quadro deve ser o mesmo, até com menos intensidade, já que o eleitorado majoritário não presta atenção nesse tipo de coisa."

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