André Dusek/Estadão
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CPIs bancadas por Cunha investem contra Dirceu e ex-presidente Lula

Comissões Parlamentares de Inquérito criadas com o aval do presidente da Câmara convocam ex-ministro da Casa Civil e executivo da Odebrecht, preso pela Lava Jato, que aparece em relatório da Polícia Federal em conversa com Lula sobre o BNDES

Daiene Cardoso, Eduardo Rodrigues, Rachel Gamarski e Ricardo Galhardo, O Estado de S. Paulo

27 de agosto de 2015 | 21h46

Brasília - As três CPIs bancadas por Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na Câmara dos Deputados promoveram nesta quinta-feira, 27, uma investida em direção ao governo Dilma Rousseff, ao PT e às relações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com empreiteiros. Numa das frentes, as comissões aprovaram requerimentos para ouvir executivos presos pela Operação Lava Jato, ex-presidentes do Banco Nacional de Desenvolvimento e Social (BNDES) e o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil de Lula). Em outra, interpelaram petistas próximos à cúpula da sigla.

Logo após ter anunciado seu rompimento com a gestão Dilma, Cunha deu prosseguimento à criação de duas CPIs contrárias aos interesses do governo e do PT: BNDES e Fundos de Pensão. Elas se somaram à da Petrobrás, ativa desde o primeiro semestre. 

Nesta quinta, na CPI da Petrobrás, além de Dirceu, foi convocado o executivo Alexandrino Alencar, ex-diretor da Odebrecht. Em relatório da 14.ª fase da operação, a PF informou ao juiz Sérgio Moro que Lula conversou com Alexandrino Alencar em 15 de junho, quatro dias antes de o executivo e Marcelo Odebrecht, presidente da empreiteira, serem presos. Segundo o relatório, Lula estaria preocupado com “assuntos do BNDES”. A PF não grampeou Lula. Os investigadores monitoravam contatos de Alexandrino Alencar.

Também foi aprovada a convocação do ex-diretor de Internacional da Petrobrás Jorge Zelada. Anteriormente, já havia sido convocado Marcelo Odebrecht. Dirceu será ouvido segunda-feira em Curitiba, onde está preso desde o mês passado.

Novo alvo. Lula e a cúpula do PT avaliam que o risco de Dilma ter o mandato abreviado diminuiu nos últimos dias após ela ter se aproximado do empresariado. O alvo dos adversários agora é impedir que Lula e o PT cheguem em boas condições de disputa às eleições de 2018.

Segundo um interlocutor de Lula, o ex-presidente está convencido de que os objetivos dos adversários agora são enfraquecer a imagem dele próprio e “aniquilar” o PT até a eleição de 2018. A principal arma da oposição seria a Operação Lava Jato.

A CPI do BNDES ouviu nesta quinta o presidente do banco, Luciano Coutinho. Nos questionamentos, o alvo prioritário foi Lula. Antes mesmo de Coutinho começar a falar, foi aprovada a convocação de todos os presidentes do banco de 2003 a 2015 – período que engloba os governos Lula e Dilma. Dentre eles, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que comandou a instituição de novembro de 2004 a março de 2006. Na lista estão ainda Eleazar de Carvalho Filho (que havia sido nomeado pelo tucano Fernando Henrique Cardoso), Carlos Francisco Theodoro Machado Ribeiro de Lessa e Demian Fiocca.

‘Interferência’. Durante cerca de seis horas de depoimento, Coutinho teve de responder por mais de uma vez se Lula interferia no BNDES. Isso porque os parlamentares levantaram coincidências entre os países que receberam financiamentos do BNDES e aqueles que são alvo das ações do Instituto Lula na América Latina e na África. 

“Nunca houve interferência do presidente Lula nesses processos junto ao BNDES. Questões relativas às atividades do ex-presidente devem ser esclarecidas pelo Instituto Lula, não posso responder pela instituição”, afirmou Coutinho. 

Questionado pelo deputado Caio Narcio (PSDB-MG) se mantinha relações com Fábio Luiz Lula da Silva, o “Lulinha”, Coutinho disse não conhecer o filho de Lula. O presidente do BNDES negou também ter relações com o dono da UTC, o empreiteiro Ricardo Pessoa, e o ex-ministro José Dirceu.

Diante das negativas, o deputado mineiro perguntou se Coutinho abriria mão do seu sigilo telefônico. “Ceder o sigilo telefônico à CPI não é decisão minha, mas uma prerrogativa da comissão”, limitou-se a responder. As defesas mais incisivas da política do banco vieram de uma deputada do PC do B, Jandira Feghali (RJ).

Já a CPI dos Fundos de Pensão interrogou o diretor-presidente da Fundação dos Economiários Federais (Funcef), Carlos Alberto Caser. Os questionamentos abordaram desde o fato de ele ser filiado ao PT e fazer a defesa do partido em sua página no Facebook até a influência de sua preferência partidária nos investimentos do fundo.

A Sete Brasil, empresa investigada na Operação Lava Jato e na qual o fundo mantém investimentos, foi citada na CPI. 


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