Beto Barata/AE
Beto Barata/AE

CPI vota nesta quinta-feira quebra de sigilo de governadores

Agnelo autoriza comissão a acessar dados e, logo depois, Perillo manda avisar que também abriria suas contas

O Estado de S. Paulo,

13 Junho 2012 | 22h30

BRASÍLIA - A CPI que investiga a relação do contraventor Carlinhos Cachoeira com autoridades e empresas marcou para esta quinta-feira, 14, a votação dos pedidos de quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico dos governadores de Goiás, o tucano Marconi Perillo, e do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz. Os requerimentos serão votados um dia após Agnelo ir à CPI e assinar documento no qual consente a quebra de seus sigilos.

Veja também:

link Em depoimento de mais de 10 h, Agnelo nega ligação com Cachoeira e deixa sigilo disponível

video Agnelo Queiroz diz que não houve licitação de transportes no DF

link Agnelo nega quebra de sigilo de deputado do PSDB

A permissão dada nesta quarta-feira, 13, pelo petista ocorreu depois de o tucano ter recusado pôr seus sigilos à disposição da CPI. Na tentativa de minimizar sua atitude, Perillo telefonou para o líder do PSDB na Câmara, Bruno Araújo, para anunciar que também concordava com a abertura de suas contas.

Agnelo assinou o papel para quebra de seu sigilo depois de o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) o acusar de fazer "propaganda enganosa". "Pode ser só uma jogada de sua parte. O senhor não entregou nenhum documento para termos a transferência de sigilo", observou.

Escoltado pelo PT e pelo PMDB, Agnelo depôs nesta quarta por cerca de nove horas na CPI. Negou conhecer Cachoeira e ter contatos com dirigentes da Delta. O governador não explicou, no entanto, a compra de uma casa em condomínio do DF. "Quando meu sigilo chegar, vocês vão ver que tiveram cheques e depósitos para a compra da casa."

Citado pelo grupo de Carlinhos Cachoeira como o "01 de Brasília" ou "Magrão", o governador petista argumentou que não há indícios de que seu governo beneficie empresas ou pessoas do esquema comandado pelo contraventor. Disse ainda desconhecer a relação entre seu ex-chefe de gabinete Claudio Monteiro com integrantes da quadrilha e Claudio Abreu, ex-diretor da Delta no Centro-Oeste. "Meu governo não tem conexão com Delta nem com Cachoeira", afirmou Agnelo, ao observar que não recebeu doação de nenhuma das empresas de Cachoeira para sua campanha em 2010.

Auxiliar direto do governador, Claudio Monteiro pediu demissão do governo em abril, logo depois que seu nome foi citado em escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal. Monteiro seria o elo do grupo de Cachoeira como o governo do petista.

Anvisa. No depoimento, Agnelo admitiu ter se encontrado com Cachoeira uma vez, quando era diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no governo Lula. "Encontrei com Cachoeira uma vez, quando visitei o laboratório Vitapan, em Anápolis", disse. O contraventor é um dos donos do laboratório farmacêutico.

Dizendo-se vítima de uma campanha orquestrada pelo grupo de Cachoeira, afirmou que nunca se reuniu com Fernando Cavendish, ex-presidente da Delta. "Não existe nenhuma conexão do meu governo com a Delta, nem com Cachoeira. Isso está provado. Não posso falar sobre diálogos de terceiros", repetiu o petista. Segundo ele, o governo do DF tem apenas um contrato com a construtora para o recolhimento de lixo e varrição de ruas. Por determinação da Justiça, observou Agnelo, esse contrato foi rompido. "A Delta no prazo de dez dias estará fora do serviço de limpeza urbana no Distrito Federal", afirmou.

A oposição tentou pressionar Agnelo com perguntas sobre seu suposto envolvimento em irregularidades na época em que foi um dos dirigentes da Anvisa. "Não tenho nenhum envolvimento com isso", respondeu o governador. Acuados, os petistas partiram para o ataque e fizeram questão de lembrar que Perillo é alvo de três inquéritos.

Assim como na véspera, a sessão da CPI foi marcada ontem por alguns momentos acalorados e bate-boca entre parlamentares. Agnelo também levou uma "claque" para aplaudi-lo, da mesma forma como fez Perillo no dia anterior. / ALANA RIZZO, EUGÊNIA LOPES, FÁBIO FABRINI e RICARDO BRITO

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.