CPI vai pedir proteção da PF para jornalista que denunciou espionagem

Comissão deverá investigar empresas de telecomunicação brasileiras que estariam colaborando com os EUA no envio de dados sigilosos, incluindo ligações da presidente Dilma Rousseff

Débora Álvares e Carla Araújo , O Estado de S. Paulo

03 de setembro de 2013 | 18h16

Instalada nesta terça-feira, 3, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Espionagem aprovou, em sua primeira reunião, um requerimento solicitando proteção da Polícia Federal para o jornalista Glenn Greenwald e seu companheiro, David Miranda, que vivem no Brasil. A CPI também aprovou um requerimento solicitando que a Polícia Federal libere assessores do órgão para auxiliar os trabalhos da comissão.

A comissão quer investigar as denúncias de que o governo dos Estados Unidos teria monitorado e-mails e telefonemas no Brasil, incluindo ligações da presidente Dilma Rousseff e de seus assessores mais próximos. O jornalista norte-americano trouxe à tona programas secretos dos EUA com base em dados vazados pelo ex-técnico da Agência de Segurança Americana (NSA) Edward Snowden.

No mês passado, o brasileiro David Miranda, companheiro de Greenwald, foi detido por nove horas no aeroporto de Heathrow, em Londres, na Inglaterra. Ele teve telefone, computador, câmera e outros objetos pessoais apreendidos.

No início dos trabalhos, a presidente da CPI, senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) - que propôs a investigação - afirmou que os integrantes da Comissão terão em breve uma reunião com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. E que outros ministros - das Comunicações e da Defesa - além do Procurador-Geral da República e o diretor da Agência Brasileira de Inteligência, também serão contatados pela comissão.

Grazziotin afirmou ainda que a CPI deverá investigar as empresas de telecomunicação no Brasil que estariam colaborando com os Estados Unidos por meio de transferência de dados sigilosos e também avaliar medidas para aumentar a segurança da informação.

Denúncias. Eleito relator da CPI, o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) disse que o jornalista foi consultado a da iniciativa de pedir proteção. "Ele considerou muito adequada e prudente por causa das novas denúncias que fez no fim de semana envolvendo a quebra do sigilo da presidente Dilma e de novas denúncias que vão continuar acontecendo, em razão do processamento que ele está fazendo", destacou.

Segundo Ferraço, o tema deve ser discutido com o presidente norte-americano, Barack Obama, na visita que Dilma deverá fazer a Washington, em outubro. "Poderá se traduzir em excepcional oportunidade para que o Estado brasileiro possa solicitar esclarecimentos sobre a denúncia de que um país aliado esta sendo tratado dessa forma", afirmou.

O senador do PMDB afirmou acreditar que em setembro, na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), na qual o Brasil tradicionalmente faz o discurso de abertura, Dilma deveria abordar o assunto e criar "todo tipo de constrangimento".

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