CPI vai ouvir assessor do STF

Presidente da Câmara também estuda chamar Abin

Sônia Filgueiras, BRASÍLIA; Clarissa Oliveira, SANTO ANDRÉ, O Estadao de S.Paulo

01 de setembro de 2008 | 00h00

O presidente da CPI dos Grampos, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), decidiu antecipar para amanhã o depoimento do chefe da seção de Operações Especiais do STF, Aílton Carvalho de Queiroz. Ele assinou relatório que apontou indícios de monitoramento ambiental na sala do principal assessor de Gilmar Mendes. Itagiba também vai apresentar amanhã requerimento propondo a convocação do segundo homem na hierarquia da Abin, José Milton Campana, para prestar depoimento à CPI.O indício de monitoramento foi detectado no dia de 10 julho, um dia depois que Gilmar Mendes concedeu o primeiro habeas corpus para soltar o banqueiro Daniel Dantas, preso durante a operação. O relatório apontou a existência de um sinal "altamente suspeito", que alertou para um possível monitoramento externo nas proximidades do edifício do tribunal. O depoimento de Queiroz havia sido aprovado, mas a data não fora marcada ainda pela comissão.Segundo a assessoria de Itagiba, a convocação do segundo homem da Abin tem o objetivo de aprofundar as investigações da CPI a respeito da cooperação entre a agência e a Polícia Federal na Satiagraha. O presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), levantou ontem a possibilidade de a Casa conduzir algum tipo de investigação sobre o grampo telefônico de que foi alvo o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes. Apesar de explicar que ainda vai avaliar as alternativas, ele afirmou que a Câmara poderá estudar a possibilidade de convidar um representante da Abin a prestar esclarecimentos sobre o episódio. "Eu quero discutir com o presidente Gilmar Mendes e depois com a Câmara dos Deputados para ver que iniciativa podemos ter", afirmou. "Nós podemos fazer um convite a um representante da Abin para que vá à Câmara", completou ele. Ainda assim, Chinaglia afirmou que considera grave a notícia de que Mendes teve diálogos monitorados ilegalmente pela agência. "Se não havia autorização e se este é um grampo ilegal, é extremamente grave", afirmou Chinaglia. "Mas contra um senador ou um presidente do Supremo é inacreditável", concluiu o presidente da Casa.

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