Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

CPI convoca Okamotto, ‘faz-tudo’ de Lula, e quebra sigilos de José Dirceu

Peemedebistas se unem à oposição, chamam presidente do Instituto Lula para prestar depoimento e aprovam devassa nos negócios da consultoria do ex-ministro; personagens investigados que podem comprometer Eduardo Cunha e o PMDB são poupados

Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

11 Junho 2015 | 12h17

Atualizado às 23h31

Brasília - Numa ação orquestrada entre parlamentares do PMDB e da oposição para colocar o PT contra a parede, a CPI da Petrobrás aprovou ontem a convocação do diretor-presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico de 2005 a 2015 do ex-ministro José Dirceu e de sua empresa, a JD Assessoria e Consultoria.

No dia da abertura do 5.º Congresso do PT, a comissão também aprovou, entre outros 140 requerimentos, a convocação do petista José de Filippi Júnior, ex-tesoureiro da campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010, além da convocação e a quebra dos sigilos do lobista Milton Pascowitch. A CPI deu ainda sinal verde a acareações entre os principais personagens da Operação Lava Jato que envolvem o PT. Em outra manobra regimental, os investigados que comprometem o PMDB foram poupados.

Okamotto é amigo de Lula desde os anos 1980 e chegou a ser apontado pelo empresário Marcos Valério, pivô do escândalo do mensalão, como “faz-tudo de Lula”. Desde que Lula deixou a Presidência, em 2011, Okamotto tornou-se seu braço operacional no Instituto Lula. Ele também se notabilizou durante o mensalão ao assumir a autoria de um empréstimo a Lula.

O ânimo para a CPI veio da revelação sobre as investigações da Justiça que apontaram pagamentos da construtora Camargo Corrêa de R$ 3 milhões ao Instituto Lula e de R$ 1,5 milhão à LILS Palestras Eventos e Publicidade, empresa do ex-presidente, entre 2011 e 2013.

Em quatro meses de funcionamento, a CPI esteve a reboque das investigações do Ministério Público Federal e não conseguiu arrancar nenhuma informação nova dos vários empreiteiros convocados a depor. 

A sessão desta quinta foi tumultuada. A bancada do PT ensaiou uma obstrução, mas foi atropelada pela oposição e PMDB. Oposicionistas temiam que a retomada da votação da reforma política na Câmara começasse sem a aprovação dos requerimentos na CPI. Por isso, avisaram ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que não dariam quórum enquanto não votassem na comissão. Como já havia aberto a sessão no plenário, Cunha suspendeu os trabalhos e convocou reunião dos líderes partidários.

“O presidente Eduardo Cunha tem dado uma dinâmica na Casa e na CPI, aqui, temos uma dinâmica intensa. Então, às vezes tem de fazer um tipo de sincronia para que uma não atrapalhe a outra. Talvez tenha acontecido isso”, disse o vice-presidente da comissão, Antônio Imbassahy (PSDB-BA). Para desespero dos petistas, a ação articulada foi suficiente apenas para a votação relâmpago da pauta que implicava o PT, preparada pelo presidente da comissão, Hugo Motta (PMDB-PB). “Partidarizar (a CPI) é criar um factoide no dia do congresso do PT. Não pode transformar a CPI em tiro ao alvo ao PT”, protestou Afonso Florence (PT-BA). Motta deixou a comissão afirmando que havia cumprido sua missão e disse considerar “oportuna” a convocação de Okamotto.

Blindados. Petistas acusaram os colegas de blindar os envolvidos nas investigações que citam partidos de oposição e Eduardo Cunha. Ficaram de fora da pauta as convocações do delator Júlio Camargo, da Toyo Setal, do policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, conhecido como Careca, e da ex-deputada Solange Almeida (PMDB-RJ), que teria feito requerimentos em nome de Cunha para pressionar empresas a pagar propina ao partido. “Estão blindando (Jayme, Júlio e Solange) porque atinge o presidente da Casa (Eduardo Cunha), que suspendeu a sessão (no plenário) de forma muito adequada”, disse Ivan Valente (PSOL-SP), autor dos requerimentos não votados.

Acareação. Entre os requerimentos aprovados ontem na CPI, ainda está uma série de acareações com os ex-diretores da Petrobrás Paulo Roberto Costa e Renato Duque, o ex-gerente da estatal Pedro Barusco, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o doleiro Alberto Youssef e o ex-presidente da Petrobrás José Sergio Gabrielli.

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