'CPI vai acabar em pizza só para a oposição', diz analista

Murillo de Aragão diz que governo terá o efeito que deseja nas investigações sobre cartões corporativos

Andréia Sadi, do estadao.com.br

02 de abril de 2008 | 19h58

A CPI dos Cartões corporativos só vai acabar em "pizza" para a oposição, já que o governo não tem interesse em aprofundar as investigações e conta com a maioria dos parlamentares na comissão. A análise é de Murillo de Aragão, cientista político e presidente da Arko Advice Pesquisas, que, em entrevista ao estadao.com.br, disse que as apurações terminarão não causando os efeitos desejados para o PSDB e DEM e quem sairá ganhando é o governo.   Veja Também: Ouça a entrevista PSDB apresenta recurso para convocar Dilma ao Senado Governo usa 'rolo compressor' e oposição ameaça com nova CPI CPI rejeita pedido para governo divulgar dados sigilosos PSDB quer apurar vazamento de dossiê no governo Gastos com cartões já somam R$ 9 milhões em 2008 CPI pede lista dos titulares que sacaram dinheiro com cartão CPI terá dados que complicam ministros de Lula e FHC Documento do TCU não sustenta versão sobre 'banco de dados' CPI dos cartões: quem ganha e quem perde?  Entenda a crise dos cartões corporativos    "Para a oposição vai acabar em pizza, para o governo não. O governo não tem interesse em aprofundar as investigações. E, de certa forma, não havia interessa da oposição em aprofundar certas investigações, até que surgiu a história do dossiê", disse.   Mesmo com o a denúncia do suposto documento com informações sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Aragão acredita que a imagem da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, não foi abalada e que ela só deixaria o cargo no ministério se surgissem novos fatos."Acho difícil ela sair, só se aparecerem fatos novos. O que é evidente é o comportamento da Casa Civil, que não foi o mais adequado. Restam duvidas sobre o que aconteceu, se foi armação, traição. Mas é difícil dizer que a imagem dela ficou abalada".   Para o analista, a oposição depende dos escândalos para desgastar o governo. "O objetivo da oposição é esse (o desgaste), mas como fica difícil, por conta dos bons números da economia e programas sociais, eles dependem de escândalos para fazer de um limão uma limonada".   O episódio do dossiê não abalou também a imagem do presidente Lula, devido a sua "blindagem", mas também porque nada apontou seu envolvimento com o caso. " O êxito econômico de Lula ajuda, mas o principal é que até agora não houve nenhum fato objetivo que o incriminasse".   Na opinião de Aragão, dos escândalos que envolveram o governo Lula, o dossiê perde para mensalão, que foi o mais desgastante para sua imagem. "Mas houve um gasto desmedido", finalizou.

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