CPI tenta contornar silêncio de ex-diretor da Petrobrás

CPI tenta contornar silêncio de ex-diretor da Petrobrás

Oposição traça estratégia para aproveitar acareação entre Costa, que não deve falar, e Cerveró; governistas minimizam efeito da sessão

ISADORA PERON, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2014 | 02h05

BRASÍLIA - Depois de manobras que blindaram as empreiteiras de quebras de sigilo, a CPI mista da Petrobrás vai promover hoje uma acareação entre os ex-diretores da estatal Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa. Diante do indicativo de que Costa vai permanecer calado durante a acareação, a oposição traça algumas estratégias para forçar que os dois ex-diretores da empresa, no eventual confronto, produzam informações úteis aos parlamentares da comissão.

Em depoimento ao Ministério Público Federal, como parte do acordo de delação premiada, Costa citou o ex-colega como um dos beneficiados pelo suposto esquema de pagamento de propina. Cerveró negou qualquer relação com o esquema investigado pela Operação Lava Jato.

A expectativa dos integrantes da comissão parlamentar é que, estando frente à frente, nenhum dos dois consiga permanecer em silêncio. A presença dos dois ex-diretores da Petrobrás foi confirmada pela secretaria da comissão. Como se trata de uma convocação, eles são obrigados a comparecer.

Quando compareceu à CPI pela primeira vez, em 17 de setembro, Costa ficou calado. Já Cerveró, que havia prestado depoimento uma semana antes, respondeu aos questionamentos dos parlamentares, mas afirmou desconhecer a existência de qualquer esquema de corrupção na Petrobrás.

Benefícios. Para o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), na sessão de hoje a situação vai ser diferente para Costa. O deputado alega que o ex-diretor não poderia se negar a pelo menos confirmar as informações que deu em seus depoimentos à Justiça sob pena de perder os benefícios da delação premiada.

Já para o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), dificilmente a sessão de hoje terá algum efeito prático. Segundo ele, a acareação foi mantida somente para aumentar o clima de disputa política.

"Na medida que, antecipadamente, ele (Costa) afirma que não vai falar, isso só vem a mostrar as limitações que a CPI tem e, ao mesmo tempo, que as decisões que estão sendo tomadas têm muito mais a ver com a produção de um embate político do que com a busca efetiva de um esclarecimento do que ocorreu", afirmou o líder petista.

A acareação entre Costa e Cerveró foi marcada há duas semanas, logo após a Polícia Federal deflagrar a sétima fase da Operação Lava Jato, no dia 14 de novembro.

A aprovação do requerimento foi uma forma de a oposição reverter a repercussão negativa causada pela revelação de que os membros que compõem a CPI mista haviam feito um acordo para evitar a convocação dos agentes políticos e impedir o avanço da investigação sobre as empreiteiras e empresários envolvidos no caso.

Pasadena. Em agosto, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, empurrou para Cerveró, que foi diretor da área Internacional da empresa, a responsabilidade pela compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos - negócio que gerou prejuízo de US$ 792 milhões, segundo o Tribunal de Contas da União. Costa prestou depoimento perante a Comissão Interna de Apuração da Petrobrás. Indagado sobre Pasadena, afirmou que o processo de aquisição "foi totalmente conduzido pela área Internacional".


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