CPI sugere indiciamento de 25 pessoas no ES

Relatório da CPI da Propina da Assembléia Legislativa do Espírito Santo, apresentado nesta quarta-feira ao plenário, sugeriu o indiciamento da primeira-dama Maria Helena Ruy Ferreira, seu irmão Gentil Ruy e mais 23 ex-integrantes do primeiro e segundo escalões do governo estadual. Eles são acusados no esquema de corrupção e troca de favores investigado pela comissão desde abril.O governador José Ignácio Ferreira (sem partido) ficou de fora da lista porque a CPI da Propina decidiu que ele deve ser julgado pela suposta participação no escândalo no processo de impeachment que já tramita na Assembléia.Se aprovado pelos outros quatro membros da comissão e por votação aberta de todos os 30 deputados (em data ainda não definida), o relatório será encaminhado ao Ministério Público, que deverá abrir inquérito sobre o caso.A CPI foi instalada no dia 24 de abril, depois que o prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, Theodorico Ferraço, enviou à Assembléia cópias de fitas com gravações que mostravam cobranças de "ágio" feitas por funcionários e "assessores" do governo em troca de aprovação de transferências de crédito de ICMS entre empresas.As fitas foram gravadas pelo lobista Nilton Monteiro. Ele e outros lobistas (Andrea Cássia Souza, o ex-ministro Aníbal Teixeira e o advogado de Maria Helena, Luiz Otávio Rodrigues Coelho) também estão na lista dos indiciados. As fitas mostram os lobistas cobrando, por telefone, propinas de empresários para concordar com a troca de créditos. Nas gravações, os lobistas falam em nome da primeira-dama ou de seu irmão (os dois eram secretários do governo estadual).Uma das empresas citadas é a TA Oil. Os donos, José Carlos da Cruz Alves e Rosana Alves, também foram citados no relatório. As fitas revelam um esquema semelhante na Fábrica de Sopas, um projeto da Secretaria da Ação Social, que era liderado por Maria Helena Ferreira.Outros acusados que ocupavam cargos importantes e que estão na lista da CPI são Antonio Correia, ex-subsecretário da Fazenda; Rodrigo Stefenoni, ex-chefe de Gabinete; e Wilson Vilhagra, assessor da primeira-dama.Se for aprovado pelos membros da comissão, o relatório ainda terá que ser aprovado por todos deputados. A votação pode ocorrer ainda esta semana, dependendo de decisão da Presidência da Casa.O Ministério Público Estadual apresentou nesta quarta-feira denúncia contra sete acusados de transferir ilegalmente R$ 5 milhões de uma conta da Secretaria da Educação no banco estadual para outra conta em uma cooperativa de crédito privada, a Coopetfes.O MPE também pediu a prisão preventiva dos sete envolvidos. O cunhado do governador, que já teve a prisão decretada ontem porque está envolvido no roubo de R$ 4,3 milhões dos cofres públicos, também é citado nesse caso. Além dele, três funcionários da Secretaria de Educação e três da cooperativa são acusados.A operação de transferência do dinheiro da Secretaria teria sido organizada pelo cunhado do governador, que, na época, era secretário de governo. Os sete são acusados de formação de quadrilha, peculato e crimes contra o sistema financeiro.

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