CPI rouve nesta quinta depoimento de ministro da Pesca

Na quarta, foi a vez da ex-ministra Matilde Ribeiro. A CPI transformou-se em palco para ato de desagravo

Da Redação,

09 de abril de 2008 | 22h20

Nesta quinta-feira, a CPI dos Cartões mista recebe o depoimento do ministro da Pesca, Altemir Gregolin. Na quarta, foi a vez da ex-ministra Matilde Ribeiro. Na ocasião, a CPI transformou-se em palco para ato de desagravo à ex-ministra, que deixou o governo em fevereiro sob acusações de uso irregular do cartão de crédito corporativo.   Veja também:   Ouça o 'melô dos cartões'  Ouça: Matilde Ribeiro fala sobre acusações na CPI À CPI, diretor da Abin defende sigilo da Presidência ARQUIVO:  Secretária da Igualdade Racial é líder em gastos, revela Estado  'Troquei de cartões na compra do freeshop', diz Matilde à CPI Gastos com cartões já somam R$ 9 milhões em 2008 Os ministros caídos  Entenda a crise dos cartões corporativos    Diante de uma platéia lotada de petistas e de representantes do movimento negro, além de parlamentares da tropa de choque do governo, a ex-ministra foi aplaudida de pé ao final de seu depoimento, que mais pareceu uma audiência pública para que ela fizesse um balanço de suas ações à frente do Ministério da Igualdade Racial.   Matilde, que posou para fotos ao lado de antigos companheiros de ministério, não foi contestada pela oposição. Os oposicionistas optaram praticamente por abandonar a CPI mista e centrar suas forças na comissão formada apenas por senadores.   Os deputados do DEM Vic Pires Franco (PA) e Índio da Costa (RJ) foram os únicos da oposição que ficaram até o fim da sessão de ontem. Em minoria, não fizeram perguntas. A presidente da CPI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), lamentou o "fim melancólico" dos trabalhos da comissão.   Nas duas horas de depoimento à CPI, Matilde repetiu que usou por engano o cartão de crédito do governo para fazer compras em um free shop. "Houve uma troca de cartões. Tenho um cartão pessoal da mesma cor e da mesma bandeira do cartão do governo", justificou. "Em nenhum momento houve má-fé no uso de verba pública."   Entre novembro de 2006 e novembro de 2007, o total de gastos de Matilde com cartão corporativo chegou a R$ 171,5 mil, sendo R$ 121,9 mil para locação de veículos, sempre pagos à empresa Localiza.   A Controladoria-Geral da União (CGU) concluiu que R$ 22.405,87 gastos pela ex-ministra com o cartão corporativo "não foram suficientemente justificados". Do total, segundo a CGU, R$ 2.920,35 são de "devolução imediata".   Matilde foi orientada a apresentar esclarecimentos adicionais a respeito dos R$ 19.245,00 restantes. O valor refere-se ao pagamento de horas extras aos motoristas que conduziram os veículos alugados em suas viagens oficiais.   Além da ex-ministra, o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda, também depôs ontem na CPI mista. Lacerda defendeu a manutenção do sigilo nas despesas feitas pelo presidente da República e seus familiares com cartões corporativos e contas tipo B. "Os gastos do presidente não podem se tornar vulneráveis por uma prestação de contas que venha a causar ameaça ao mandatário", disse.

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