Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

CPI recomendou ação administrativa contra diretor interino

Roberto Moro, eleito para a área de Engenharia, foi citado em relatório de comissão que apurou irregularidades na estatal

VINICIUS NEDER E FERNANDA NUNES, O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2015 | 02h02

RIO - O engenheiro mecânico Roberto Moro, 33 anos de carreira na Petrobrás, que assumirá interinamente o cargo de diretor de Engenharia, Tecnologia e Materiais, teve o nome citado no relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que apurou suspeitas de irregularidades na Petrobrás.

O documento, de autoria do senador Marco Maia (PT-RS), foi entregue em dezembro do ano passado e criticado pela oposição, que chegou a apresentar um relatório paralelo.

Com exceção do novo presidente da estatal, Aldemir Bendine, e do novo diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Ivan de Souza Monteiro, Moro e os demais integrantes da diretoria executiva da Petrobrás nomeados ontem são funcionários de carreira da companhia, todos com cerca de 30 anos de empresa, e assumirão os novos postos interinamente.

Moro já trabalhava na área de engenharia, como gerente executivo de Engenharia para Empreendimentos Submarinos. O executivo figura na lista de funcionários ou ex-funcionários da Petrobrás que, segundo recomendação do relatório da CPI mista, deveriam ser alvo de investigação administrativa por parte da Controladoria-Geral da União (CGU). Na lista, Moro é citado como gerente de Implementação de Empreendimentos para Marlim Sul.

O relatório recomenda à CGU a "abertura (ou prosseguimento, se houver) de Processos Administrativos Sancionadores, que envolvem os seguintes empregados e/ou ex-empregados da Petrobrás, visando a apuração da responsabilização individual, na medida do quanto comprovado de suas participações, em prática de atos ilícitos".

Procurada para comentar a recomendação do relatório sobre Moro, a Petrobrás não respondeu até a noite de ontem.

Carreira. Assim como Moro, os demais diretores interinos trabalhavam nas respectivas diretorias que agora assumem, ocupando cargos de gerente executivo, função que, no organograma da Petrobrás, fica imediatamente abaixo dos diretores. Nessa posição, tiveram relação direta com ex-diretores da Petrobrás investigados na Operação Lava Jato, como Paulo Roberto Costa (Abastecimento), Renato Duque (Serviços) e Nestor Cerveró (Internacional).

Solange da Silva Guedes, diretora interina de Exploração e Produção, está há 30 anos na companhia e "já ocupou diversas posições gerenciais, todas relacionadas à área de Exploração e Produção", segundo a Petrobrás. Solange estava no cargo atual desde dezembro de 2013, quando duas gerências foram fundidas. O comando da área de Exploração e Produção é estratégico - a diretoria já foi definida como "aquela que fura poço", nas palavras do então presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti.

Doutora em engenharia de petróleo, Solange é próxima de Guilherme Estrella, diretor da área de 2003 a 2012, funcionário de carreira e militante do PT, que comandou a descoberta das reservas no pré-sal.

Jorge Celestino Ramos, diretor interino de Abastecimento, atualmente é gerente de Logística do Abastecimento e tem 32 anos de casa. Foi gerente também na BR Distribuidora.

Já Hugo Repsold Júnior, diretor interino de Gás e Energia, é o atual gerente executivo da área, com 30 anos de empresa.

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