CPI quer tirar atraso e votar 170 requerimentos

O presidente da CPI dos Sanguessugas, Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), tenta nesta terça-feira, 10, votar 170 requerimentos que esperam análise desde o início da campanha eleitoral. Os documentos prevêem a convocação de envolvidos no escândalo do dossiê contra candidatos do PSDB, além dos ex-ministros da Saúde no governo Lula, Humberto Costa (PT) e Saraiva Felipe (PMDB), e na administração Fernando Henrique Cardoso, José Serra (PSDB) e Barjas Negri (PSDB). Na semana passada, os pedidos não foram votados por falta de quórum.Entre os requerimentos que estão à espera de votação encontra-se a convocação de cinco envolvidos no caso dossiê Vedoin: o advogado Gedimar Passos; o empresário Valdebran Padilha; o ex-coordenador de comunicação da campanha do senador Aloizio Mercadante (PT) ao governo de São Paulo Hamilton Lacerda; o ex-assessor da Presidência da República Freud Godoy; e o ex-secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho Oswaldo Bargas.Gedimar e Valdebran foram presos no dia 15 de setembro em um hotel em São Paulo com R$ 1,75 milhão, que seria destinado à compra do material com as acusações contra tucanos, entre eles Serra e Barjas. O ex-assessor de Mercadante é suspeito de ter levado ao menos parte do dinheiro para os dois (é visto na gravação interna do hotel carregando uma mala). Bargas, por sua vez, tentou negociar a publicação do dossiê com a revista Época.Contra Freud não há prova concreta de envolvimento no caso, mesmo tendo sido citado por Gedimar como a pessoa de quem teria recebido a incumbência de comprar o dossiê.Há também requerimento para convocação do empresário Abel Pereira, que supostamente tinha ligação com o ex-ministro Barjas, hoje prefeito de Piracicaba, no interior paulista.Na pauta de reunião, a comissão também pretende votar pedidos de quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico de envolvidos com o dossiê Vedoin e com a máfia dos sanguessugas - esquema de desvio de recursos por meio da apresentação de emendas para compra superfaturada de ambulâncias.Com o fim do primeiro turno das eleições, a CPI dos Sanguessugas transformou-se em um palco de embates entre governistas e oposicionistas.Isso ficou claro na semana passada, durante uma reunião informal da comissão que terminou em bate-boca entre os parlamentares aliados ao candidato tucano à Presidência da República, Geraldo Alckmin, e aqueles que defendem a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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