CPI quer reconvocar Okamotto para explicar telefonemas

Para que esclareça os 161 telefonemas que trocou com os principais envolvidos no mensalão, a CPI dos Bingos vai reconvocar para depor o ex-caixa de campanha de Lula e atual presidente do Serviço Brasileiro de Apoio a Micros e Pequenas Empresas (Sebrae), Paulo Okamotto. As ligações encontradas pelas CPIs dos Correios e dos Bingos foram reveladas em reportagem publicada na edição de desta quinta-feira de O Estado de S. Paulo. O presidente da CPI, senador Efraim Morais (PFL-PB), disse que o requerimento para que Okamotto compareça novamente à CPI será votado na próxima semana. Ele foi ouvido no final de novembro, mas suas explicações sobre o fato de ter quitado uma dívida de R$ 29,4 mil de Lula com o PT não convenceram os senadores. Para Efraim, a ligação de Paulo Okamotto com o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, com o publicitário Duda Mendonça e outros investigados - como revelou o Estado na edição desta quinta-feira - comprovam que a CPI dos Bingos está no caminho certo ao suspeitar da origem do dinheiro utilizado na quitação da dívida do presidente. Ele prevê que as informações serão levadas em conta no STF, caso Okamotto recorra novamente para brecar as investigações de que é alvo. "É um fato novo, não vou dizer que inviabilizará uma nova liminar, mas com certeza vai dificultar para ele (Okamotto)", prevê. O senador defende uma "adequação" no período da abertura das contas do presidente do Sebrae, para atender à "delimitação temporal", sugerida pelo ministro Cezar Peluzo, do Supremo Tribunal Federal (STF), que preservou os sigilos do ex-tesoureiro do PT. O ministro justifica que, sem isso, Okamotto sofreria uma "devassa ampla, inútil, impertinente e inconcebível". Antero disse que não acreditou nas explicações de Okamotto, quando disse ter pago a dívida à revelia do presidente e em dinheiro vivo. "Ele (Okamotto) falou que retirou o dinheiro do banco, eu acho que ele mentiu, mas podemos restringir o fim do sigilo ao período em que isto aconteceu", defende. Ele lembra que, comprovada a mentira, ficará provado que o presidente Lula cometeu crime de responsabilidade, ao endossar um versão falsa sobre a origem do dinheiro.

Agencia Estado,

02 de março de 2006 | 19h49

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