CPI quer quebrar sigilo de ex-petista

Depois de um depoimento que se prolongou até as 2h desta madrugada, a CPI da Segurança Pública na Assembléia Legislativa do RS decidiu solicitar a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do ex-tesoureiro do PT. Expulso do partido em 2000 por ter desviado recursos da tesouraria, Jairo Carneiro dos Santos procurou jornalistas do Diário Gaúcho para denunciar que a sede local do PT havia sido adquirida com dinheiro do jogo do bicho. Mas, na terça-feira, afirmou à CPI que tudo que havia dito ao jornal era "uma grande mentira". De acordo com o ex-petista, ele mentiu porque estava magoado com o processo de execração pública que sofreu pela direção do partido. Para checar qual das versões é verdadeira, os parlamentares chegaram a submeter Carneiro a um detetor de mentiras, mas o resultado não tem valor oficial, nem científico. As denúncias de Carneiro não chegaram a ser publicadas, mas o assunto veio à tona porque uma cópia da fita com a gravação da conversa foi encaminhada pelo jornal ao relator da CPI, deputado Vieira da Cunha, no último dia 22. As denúncias foram tornadas públicas pelo presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH), Jair Krischke, que obteve uma cópia da gravação. O procedimento, de acordo com os líderes do PT, configura a "encomenda de uma farsa" com a participação do relator. O partido solicitou nesta quarta-feira o afastamento de Vieira da Cunha de suas funções na CPI. O procurador-geral de Justiça do Rio Grande do Sul, Cláudio Barros e Silva, contestou hoje as acusações feitas por Krischke contra o Ministério Público. O presidente do MJDH havia lançado suspeitas sobre o envolvimento do governo Olívio Dutra (PT) com o jogo do bicho e disse que o Ministério Público vinha sendo omisso nas denúncias contra o Executivo. De acordo com o procurador, a acusação não tem base na realidade, porque vários membros do governo já foram denunciados pelo Ministério Público e os casos arquivados foram todos analisados por juízes.

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