CPI quer quebra de sigilo de empresa da mulher de Freud

O vice-presidente da CPI dos Sanguessugas, Raul Jungmann (PPS-PE), defendeu, nesta quinta-feira a quebra do sigilo bancário da empresa Caso Sistemas e Segurança, pertencente a Simone Godoy, mulher do ex-segurança do presidente Lula, Freud Godoy. Jungamnn também afirma que Godoy precisa explicar as chamadas telefônicas que recebeu da Presidência da República entre os dias 15 e 17 de setembro, logo após a prisão de Gedimar Passos e Valdebran Padilha no Hotel Ibis, em São Paulo, com o R$ 1,75 milhão que seriam destinados à compra do dossiê contra políticos tucanos. "A cada dia, se avolumam informações que precisam ser esclarecidas". Já existem na CPI requerimentos nesse sentido, que deverão ser votados na próxima terça-feira.Sigilo telefônicoA quebra do sigilo telefônico de Freud Godoy revela que entre os dias 15 e 17 de setembro, o ex-segurança do presidente Lula recebeu 19 chamadas da Presidência da República em seu celular. Foram cinco ligações no dia 15 e outras quatorze no domingo, 17. Na segunda-feira, quando a imprensa divulgou o depoimento de Gedimar Passos, segundo o qual Freud Godoy seria o mandante do pagamento pelo dossiê, Godoy, que até então era funcionário comissionado do Palácio do Planalto, pediu afastamento do cargo.Para o advogado de Freud, Augusto Botelho, as ligações são naturais, considerando o fato de que seu cliente trabalhava na presidência da República. Godoy nega envolvimento no caso e Gedimar Passos recuou em seu primeiro depoimento, passando a isentar Godoy e afirma que citou seu nome por pressão do delegado da Polícia federal responsável pelo depoimento.Na avaliação de Jungmann, a quebra do sigilo bancário da Caso é fundamental para explicar uma série de operações financeiras denunciadas desde o estouro do escândalo do dossiê. Entre elas, um suposto depósito em espécie de R$ 150 mil. O Ministério Público, que também pediu à Justiça a quebra do sigilo bancário das empresas de Freud e sua mulher, quer checar as relações financeiras entre elas e o PT. O partido contratou a Caso para prestar serviços de segurança em diversas oportunidades. O MP trabalha com a hipótese de que o PT usou caixa 2 para financiar a compra do dossiê.

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