CPI quer investigar PF por quebra de sigilo sem autorização

Comissão retoma trabalhos nesta quarta e, segundo Itagiba, vai tentar ouvir delegado que investiga Protógenes

Andréia Sadi, do estadao.com.br,

12 de novembro de 2008 | 10h20

Após quase três semanas paradas, a CPI dos Grampos na Câmara retoma os trabalhos nesta quarta-feira, 12, às 13h30, com novos objetivos: investigar a Polícia Federal pela suposta quebra de sigilo sem autorização judicial de jornalistas e outras pessoas no dia em que foi deflagrada a Operação Satiagraha, além de prorrogar a apuração da comissão. Em entrevista ao estadao.com.br, o presidente da CPI, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), disse que as investigações "não têm lado".   Veja também: Presidente da CPI dos Grampos quer prorrogar trabalhos Especial explica a Operação Satiagraha Multimídia: As prisões de Daniel Dantas Daniel Dantas, pivô da maior disputa societária do Brasil   "Queremos verificar se a PF na investigação contra o Protógenes também se utilizou de meios indevidos. Minha investigação não é dirigida nem contra nem a favor de ninguém, (é)objetivando se existem grampos ou quebras de sigilo de forma incorreta e ilegal, não importa quem as faça".   Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, a quebra de sigilo apontaria se o delegado da PF que comandou o caso e depois se afastou, Protógenes Queiroz, teria vazado informações sobre a Operação Satiagraha para a imprensa. Em nota, a Polícia Federal negou a violação dos aparelhos Nextel.   Itagiba disse também que a CPI vai votar novos requerimentos esta semana e ouvir o delegado Amaro Vieira Ferreira, que está encarregado da investigação sobre Protógenes. "Queremos ouvir também o membro do Ministério Público que atua no caso", completou, referindo-se a Roberto Dassié, coordenador do controle externo das atividades policiais. Dassié acusou Amaro de ter violado o sigilo telefônico dos aparelhos da Nextel na madrugada da operação.   Itagiba não descartou uma possível acareação entre Protógenes e Amaro. " Não é questão de descartar (acareação). Um passo de cada vez, se houver necessidade, não descartamos nada", finalizou.   A Operação Satiagraha, comandada pelo delegado Protógenes Queiroz, prendeu, entre outros, o banqueiro Daniel Dantas, o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.