CPI quer fazer acareação entre Dantas e Protógenes

Também nesta quinta, ficou definido que Paulo Lacerda, diretor-geral da Abin, vai depor na quarta

Ana Paula Scinocca, de O Estado de S. Paulo,

14 de agosto de 2008 | 19h10

A CPI dos Grampos, na Câmara, quer uma acareação entre o banqueiro Daniel Dantas e o ex-chefe do inquérito da Satiagraha, o delegado da Polícia Federal (PF), Protógenes Queiroz. O requerimento solicitando o confronto de versões dos dois foi protocolado nesta quinta-feira, 14, na secretaria da comissão, pelo deputado Raul Jungmann (PPS-PE). "Dantas fez acusações gravíssimas ao Protógenes e só tem um jeito de descobrirmos quem está falando a verdade. Temos que colocar um frente a frente do outro", defendeu Jungmann.   Veja também: Após decisão do STF, braço direito de Daniel Dantas é solto Entenda como funcionava o esquema criminoso  As prisões de Daniel Dantas Mesmo protegido na CPI, Dantas ataca PF e envolve governo Dantas diz que Protógenes 'quer criar dificuldades' Advogado de Chicaroni pede quebra de sigilo de Protógenes CPI dos Grampos ouvirá diretor da Abin na quarta-feira STF manda soltar o último preso da Operação Satiagraha   Na véspera, em depoimento à CPI, Dantas disse que, ao ser preso pela primeira vez por Protógenes, ouviu do delegado que a investigação "iria até o fim" na investigação da venda da Brasil Telecom, o que incluiria "o filho do presidente". Foi uma referência, disse Dantas, a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A Telemar investiu R$ 5 milhões numa produtora de programas de TV sobre games, a Gamecorp, da qual Lulinha era sócio.   Também nesta quinta, ficou definida a data do depoimento do diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda. O presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), marcou para a próxima quarta-feira a vinda de Lacerda ao Congresso. Foi o próprio chefe da Abin quem se colocou à disposição de comparecer à CPI. Lacerda foi acusado por Dantas de ter "orquestrado" a Satiagraha contra o banqueiro por vingança.   Lacerda teve a iniciativa porque pretende esclarecer denúncias de que a Abin teria monitorado o gabinete do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, durante a Satiagraha. Na última quarta, ao ser informado da acusação de Dantas, reiterou seu desejo de ir até o Congresso falar aos deputados.   O diretor-geral da Abin, que é ex-diretor da PF, quer, além de se defender das acusações, explicar aos integrantes da CPI detalhes sobre a atuação da agência em operações policiais. Na semana passada, também depoimento à CPI, Protógenes confirmou que agentes da Abin participaram da Operação Satiagraha, embora não formalmente.

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