CPI quer encurralar Maluf na segunda-feira

Os vereadores que integram a CPI da Dívida Pública de São Paulo vão passar o final de semana prolongado debruçados sobre os documentos da quebra do sigilo telefônico de Paulo Maluf (PPB), na tentativa de encontrar argumentos para encurralar o ex-prefeito durante o novo depoimento que ele deverá prestar na Câmara Municipal, a partir das 13 horas de segunda-feira.Os documentos da quebra do sigilo fornecidos pela BCP Telecomunicações e pela Telesp Celular já estão nas mãos dos vereadores. Os da Intelig foram entregues ontem pela concessionária e estão com o juiz-corregedor do Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo) de São Paulo, Maurício Lemos Porto Alves, que deverá repassa-los ainda hoje para a CPI.De acordo com a presidente da CPI, vereadora Ana Martins (PCdoB), a Embratel deverá entregar os documentos ainda hoje. Depois de entregues, eles passam por um rápido rito jurídico: são levados ao juiz-corregedor, que os analisa e envia novamente para a CPI. "Tentaremos cumprir este rito ainda hoje, para poder analisar os documentos durante o final de semana", antecipou a vereadora.Durante o depoimento de Maluf, na segunda-feira, a CPI tentará reverter a situação difícil em que a vereadora foi colocada, depois de afirmar publicamente, no início desta semana, que já haviam sido descobertas ligações telefônicas de Maluf para as ilhas de Jersey, paraíso fiscal localizado no Canal da Mancha e onde o ex-prefeito supostamente seria beneficiário de contas com depósitos superiores a US$ 200 milhões.Caso a vereadora confirme a informação com base nos documentos da quebra do sigilo estará cometendo crime. Os documentos só podem ser conhecidos pelos vereadores que integram a CPI e, por lei, devem ser mantidos sob sigilo público. Caso ela negue, estará reforçando a posição de Maluf, que garante que estas ligações não existem e que nem ele e nem seus familiares são beneficiários de contas em paraísos fiscais.Ontem, promotores do Ministério Público Estadual, que também investigam as supostas contas de Maluf no exterior, se reuniram com a presidente e com vereadores da CPI. "Eles passaram informações e deram algumas orientações que poderão ser utilizadas pelos vereadores durante o depoimento de segunda-feira", informou a assessoria de imprensa da vereadora. As informações e orientações são mantidas em sigilo.O depoimento de segunda-feira será o terceiro de Maluf na CPI da Dívida Pública. "Surgiu um novo contexto, novas informações e precisamos ouvir o ex-prefeito novamente", argumenta a vereadora.

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