CPI quebra os sigilos do ex-diretor da Delta e poupa ex-governadores

Comissão não votou convocação de Sérgio Cabral, Marconi Perillo e Agnelo Queiroz

estadão.com.br - Texto atualizado às 17h10,

17 Maio 2012 | 15h01

BRASÍLIA - A CPI Mista do Cachoeira aprovou nesta quinta-feira, 17, a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do ex-diretor da Delta Construções, Cláudio Abreu, e dos principais auxiliares do contraventor Carlinhos Cachoeira: Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, Gleyb Ferreira e Geovani Pereira da Silva. O ex-vereador de Goiânia Wladimir Garcez terá apenas o sigilo telefônico quebrado.

A comissão, porém, não colocou em votação os requerimentos para convocar os governadores Sérgio Cabral (PMDB-RJ), Marconi Perillo (PSDB-GO) e Agnelo Queiroz (PT-DF), o que levantou protestos da oposição. "O que nós temos colocado, sempre com muita clareza, é que os três governadores devem vir. O Marconi Perillo já se dispôs a vir. Quem apresentou requerimento de convocação do Marconi Perillo foi o PSDB. Nós estamos aguardando a aprovação dos requerimentos para que os três governadores possam vir depor na CPI", afirmou o senador Alvaro Dias (PSDB-PR).  

O presidente da CPI Mista, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), negou a existência de qualquer tipo de “blindagem” dos governadores e disse que na pauta desta quinta estava previsto apenas a quebra de sigilo, “que é a base do processo investigatório”, não havendo nada que dissesse respeito à convocação dos governadores.

Parlamentares também criticaram a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico da Delta Construções restrita às filiais da empreiteira localizadas na região Centro-Oeste. Com a decisão, a medida abrangerá as regionais da Delta em Tocantins, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal. Foi firmado um compromisso para votar a quebra ampliada apenas no dia 5 de junho.

O relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), disse que não há indícios para propor uma quebra de sigilo "ampla, geral e irrestrita" da empreiteira. Para ele, a ligação da Delta com o contraventor Carlinhos Cachoeira, até o momento, era feita apenas pelo ex-diretor da região Cláudio Abreu. "Não permitirei a perda de foco".

Mas para o deputado Fernando Franceschini (PSDB-PR) não é possível separar as filiais da empreiteira. Segundo ele, a Controladoria-Geral da União tem 60 contratos da Delta sob investigação por suspeitas de superfaturamento, desvio de finalidade e pagamentos indevidos. A senadora Kátia Abreu (PSD-TO) disse que está havendo um acordo para escolher "quem ia morrer". "O Rio de Janeiro está enterrado até a alma. Em nenhum lugar a Delta cresceu tanto quanto no Rio de Janeiro", afirmou.

36 sigilos. Segundo Vital do Rêgo, a comissão determinou a quebra de 36 sigilos bancário, fiscal e telefônicos. Preso no final de abril numa operação comandada pela Polícia Civil de Brasília, Cláudio Abreu seria, segundo investigações da Polícia Federal, o elo da empreiteira com Carlinhos Cachoeira. A operação que o prendeu, a Saint-Michel, é um desdobramento da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que resultou na prisão de Cachoeira, em fevereiro.

Na sexta-feira passada, a Justiça de Brasília já havia determinado a quebra do sigilo de Abreu. A Justiça também decretou o bloqueio de bens de Cachoeira, do ex-diretor da Delta e de pessoas envolvidas com irregularidades no processo de contratação de serviços de bilhetagem eletrônica para os ônibus do Distrito Federal.

A CPI Mista também aprovou requerimento que pede que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) encaminhe informações consideradas "atípicas" de Carlinhos Cachoeira, Cláudio Abreu, Idalberto Matias de Araújo e José Olímpio Queiroga Neto, apontado como outro integrante do grupo de Cachoeira, de acordo com gravações feitas pela Polícia Federal.

(Com informações da Agência Estado e da Agência Senado)

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