CPI poderia ligar oposição ao PT ao jogo, diz vereador

Em Porto Alegre, a CPI do Carnaval na Câmara Municipal, criada em 2000 para investigar um convênio entre a prefeitura, administrada pelo PT, e a Associação dos Carnavalescos, teve um encerramento relâmpago, após três sessões, quando as evidências apontaram também para o relacionamento indevido de vereadores do PFL, PMDB e PTB, muitos integrantes da comissão, com os maiores promotores da festa: os bicheiros. "Estávamos no caminho certo, mas era ano eleitoral, e muitos vereadores eram ligados ao carnaval e a esse pessoal", afirma o vereador Nereu D´Ávila (PDT), ex-presidente da CPI. A comissão deveria esclarecer o destino de R$ 700 mil da prefeitura, repassados a uma empresa de fachada, a Golin & Castro, para a construção de um sambódromo na capital gaúcha. A empresa não tinha sede e a pista nunca foi construída. O principal responsável pela companhia, Antônio Ademir Moraes, era diretor da Associação dos Carnavalescos - a quem competia distribuir as verbas -, mas não foi ouvido pela CPI, assim como o ex-presidente da associação, Evaristo Mutti, funcionário do gabinete do vereador Reginaldo Pujol (PFL).Na recém-concluída CPI da Segurança Pública da Assembléia Legislativa, que investigou as ligações do governo Olívio Dutra (PT) com banqueiros do jogo do bicho, a quebra de sigilo telefônico revelou 39 telefonemas entre o ex-presidente do Clube de Seguros da Cidadania Diógenes de Oliveira, ligado ao partido, e Mutti. O nome de Mutti, ao lado do codinome "Mudo", aparece na agenda de Oliveira. "Sou intimamente ligado ao carnaval, sou patrono de escola de samba, mas minha escola não recebe de bicheiros, e sim de bingos e raspadinhas", afirma Pujol. Ele disse que Mutti lhe afirmou que não é ligado ao bicho. Por isso, o mantém."As bordas da CPI do Carnaval tangenciaram muitas coisas nessa relação, que é clara para a sociedade, entre carnaval e bicheiros", afirma o ex-relator da CPI do Carnaval, Hélio Corbelini (PSB), presidente municipal da legenda em Porto Alegre. "Mas não se pôde ir mais adiante porque há vereadores do PFL, PTB e PMDB que são muito alinhados ao carnaval."

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