CPI pede compartilhamento de investigação da Receita sobre contas do HSBC

Entre os que estão na mira do órgão por terem dinheiro em contas secretas no exterior aparecem o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga e o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch

Nivaldo Souza, O Estado de S. Paulo

09 Abril 2015 | 12h47

Brasília - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga eventuais irregularidades de brasileiros no HSBC da Suíça aprovou nesta quinta-feira, 9, um requerimento determinando à Receita Federal o compartilhamento do que o órgão já descobriu envolvendo 129 pessoas.

A lista elaborada pelo autor do requerimento, senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AC), é composta por empresários e personalidades, como Benjamin Steinbruch, da CSN; o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga Neto; e os empresários Vittorio Tedeschi e Ettore Reginaldo Tedeschi. Além do compositor Tom Jobim, o apresentador Ratinho e a escritora Zélia Gattai.

Os listados por Randolfe são proprietários de contas numeradas na sede do HSBC de Genebra, o que é apontado como uma solução para esconder a posse dessas contas.

 ex-secretário da Receita Everardo Maciel, que classificou a Suíça como "paraíso fiscal". "É meio óbvio que quem não coloca o nome numa conta numerada tem alguma coisa a esconder", disse, ressaltando que "o Fisco não saberia quem investigar" nos casos de contas numeradas.

A lista com os nomes foi divulgada por um ex-funcionário do banco na Suíça, com as movimentações realizadas entre 2006 e 2007. O caso revelou dados de 6.606 contas detidas por 8.677 brasileiros no HSBC no país europeu.

O relator da CPI, senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), disse que cabe à Receita cobrar 27,5% de Imposto de Renda de contas não declaradas e aplicar multa de até 75% sobre impostos devidos - punição pode subir para 150% sobre recursos oriundos de crimes no Brasil, como corrupção.

Maciel considerou que não cabe à Receita resgatar os recursos nas contas suíças, o que depende de acordo jurídico entre o governo brasileiro e Genebra. Ele apontou como "via do entendimento" um resgate a partir de acordo entre a Receita e os donos das contas. 

A "repatriação espontânea", segundo o ex-secretário, a partir de pagamento das multas listadas por Ferraço, levaria o Brasil a uma difícil batalha jurídica com Genebra para reaver eventuais recursos de origem ilegal que tenham sido depositados no HSBC.

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