CPI pede 124 indiciamentos e poupa Lula

O texto do relatório final da CPI Mista dos Correios, divulgado nesta quarta-feira, não pede o indiciamento de 17 dos 19 deputados acusados de envolvimento no esquema do mensalão. O relator, Osmar Serraglio (PMDB-RS,) admite mudar o texto para denunciar os deputados. O documento pede o indiciamento de 124 pessoas, entre eles dois ex-ministros, três ex-dirigentes do PT o ex-deputado Roberto Jefferson, autor das denúncias, e um senador tucano. E exime de responsabilidade o presidente Lula no caso do mensalão. A parte relativa aos beneficiados pelo esquema do mensalão limita-se a afirmar que "eles podem ter incorrido em crime eleitoral e de sonegação fiscal".A lista dos mensaleiros não inclui o ex-deputado José Dirceu, que está na parte de indiciamentos junto com o empresário Marcos Valério de Souza, o ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares e o ex-ministro Luiz Gushiken no trecho referente ao chamado valerioduto.Em relação aos 17 parlamentares, o presidente da CPI Mista dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), admitiu que o relatório final poderá ainda ser submetido a modificações. Segundo Delcídio, as mudanças podem ocorrer durante a discussão do relatório. "Certamente (a situação deles) será discutida agora, antes da votação do relatório", disse Delcídio. "Agora, será a fase do pente-fino final. Vamos fazer uma discussão ampla."ValeriodutoNa parte referente ao chamado valerioduto - esquema de fornecimento de dinheiro a partir das contas do empresário Marcos Valério para pagamento de propina a deputados - o relator pede que a Justiça indicie dezenas de pessoas. Entre eles estão Marcos Valério, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o ex-presidente do PT José GenoinoO ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, principal coordenador da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 e responsável pelas articulações que resultaram na formação da base parlamentar do governo, é acusado de prática de corrupção ativa, e por isso o relatório recomenda seu indiciamento na Justiça. O mesmo diz o texto da CPI em relação ao ex-ministro Luiz Gushiken, acusado também de tráfico de influência.Land RoverO ex-secretário-geral do PT Sílvio Pereira, o Silvinho, é mencionado em diferentes trechos do relatório. Ele ficou conhecido por ter sido comprovado que utilizou de sua influência no partido para receber benefício de empresa privada - a GDK, da Bahia - que mantinha contrato (já rompido) com a Petrobrás e lhe deu de presente um jipe Land Rover, seminovo, no valor de mais de R$ 70.000. É pedido o indiciamento de Silvinho e de dirigentes da GDK. O relatório pede o indiciamento do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil (BB) Henrique Pizzolato, pelos crimes de falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e peculato. Já o indiciamento do ex-presidente do BB Cássio Casseb é recomendado por prática de condescendência criminosa. O ex-diretor do Banco Rural Oto Diniz Amorim é acusado de fraude na administração de sociedade por ações, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Também foi apresentada denúncia contra o publicitário Duda Mendonça, ex-marqueteiro de Lula, e de sua sócia Zilmar Fernandes pelos crimes de remessa indevida de recursos ao exterior e recebimento de dinheiro de origem duvidosa. Duda confessou, em depoimento à CPI, que havia recebido do PT US$ 10,5 milhões no exterior, em uma conta chamada Dusseldorf, em Nova York, mas não declarou esse dinheiro ao Fisco. A CPI pede que ele e Zilmar sejam indiciados também por sonegação fiscal e crime contra o sistema financeiro nacional e contra a ordem tributária, além de lavagem de dinheiro.TucanoO senador e ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB) não escapou. O relatório afirma que a campanha de Azeredo pela reeleição para governador, em 1998, e a de seus aliados receberam mais de R$ 9 milhões do esquema de Valério por intermédio da Usiminas. O relatório pede o indiciamento de Azeredo por prática de crime eleitoral e recomenda a mesma providência em relação ao tesoureiro da campanha do então governador, Cláudio Mourão, além do presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Clésio Andrade, que é do PL e vice do governador mineiro Aécio Neves (PSDB).

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