CPI para investigar ex-assessor da Saúde depende do PTB

Aliado do PT no âmbito federal e oposição no municipal, está nas mãos do PTB a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal, que pretende investigar a passagem de Luiz Cláudio Gomes da Silva como diretor administrativo e financeiro da Secretaria de Saúde do Recife no período de janeiro de 2001 a agosto de 2003.Ex-assessor de Humberto Costa no Ministério da Saúde, e quando o ministro foi prefeito da cidade, ele é acusado de envolvimento em fraudes na compra de hemoderivados do Ministério. Autor do requerimento da instalação da CPI, o vereador Jorge Chacrinha (PMDB) conseguiu sete das 14 assinaturas necessárias para viabilizar a instalação da comissão. Com uma bancada de oito vereadores, o PTB é o fiel da balança. O líder petebista, vereador José Neves, reconhece a dificuldade de se posicionar no caso, mas garantiu que até amanhã o partido se posiciona. "Antes vamos ouvir a bancada federal (do PTB pernambucano) para avaliar a repercussão de um apoio nosso à CPI municipal", afirmou. O deputado federal Joaquim Francisco, do PTB, é pré-candidato do partido à Prefeitura do Recife, que também será disputada pelo prefeito João Paulo (PT), que tentará a reeleição. "Não se pode ser santo aqui (na secretaria) e demônio lá (no Ministério da Saúde)", afirmou ele, ao defender a necessidade de investigar se Luiz Cláudio cometeu irregularidades também no Recife. "Há denúncia de R$ 18 milhões em contratos feitos sem licitação na Secretaria municipal de Saúde, há o fato de a Polícia Federal ter apreendido R$ 208 mil (em reais, euros e dólares) no apartamento de Luiz Cláudio e também a chácara de luxo que ele possui em Igarassu (região metropolitana) sobre a qual há a suspeita de ter sido construída por uma empresa construtora que presta serviços à Prefeitura do Recife". Chacrinha frisou que a CPI não teria o objetivo de investigar o ministro Humberto Costa, que ele acredita não ter nenhuma ligação com a "máfia do sangue". A Câmara do Recife tem 41 vereadores. Chacrinha conseguiu a adesão dos três peemedebistas, de dois dos três pefelistas, do único representante do PSDC e de um dos três tucanos. Ele acredita que pode conquistar mais duas ou três assinaturas, mas, mesmo assim, permanecerá na dependência do PTB.

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