CPI ouvirá nesta 4ª ex-ministra pivô do escândalo dos cartões

Matilde Ribeiro deixou ministério após denúncias de gasto irregular; diretor da Abin também irá à comissão

09 de abril de 2008 | 08h59

A CPI mista dos Cartões ouvirá nesta quarta-feira, 9, a ex-ministra da Igualdade Racial Matilde Ribeiro, pivô do escândalo dos cartões corporativos do governo. A crise começou em 13 de janeiro, quando o jornal O Estado de S. Paulo publicou reportagem, segundo a qual os gastos com cartão corporativo no governo Lula dobraram em 2007 com relação ao ano anterior. A edição trouxe Matilde Ribeiro como líder no ranking dos ministros que mais gastaram nos dois últimos anos. Veja também: ARQUIVO:  Secretária da Igualdade Racial é líder em gastos, revela Estado  Gastos com cartões já somam R$ 9 milhões em 2008Os ministros caídos  Entenda a crise dos cartões corporativos  Matilde Ribeiro, que pediu demissão do cargo, teria usado o cartão para fazer compras em free shops, aluguel de carros e restaurantes. No total, os gastos da ministra chegaram a R$ 171,5 mil, dos quais R$ 121,9 mil para locação de veículos, sempre pagos à mesma empresa. O valor é considerado um recorde na Esplanada dos Ministérios. Ainda nesta quarta, será ouvido o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda.  Em março deste ano, a Controladoria-Geral da União (CGU) decidiu que R$ 22.405,87 gastos pela ex-ministra não "foram suficientemente justificados". Do total, segundo a CGU, R$ 2.920,35 deveriam ter "devolução imediata". O valor refere-se a pagamento de horas extras aos motoristas dos veículos alugados por Matilde em viagens oficiais. Segundo a CGU, os gastos de ressarcimento imediato incluem aluguel com veículos em locais onde ela não estava e locação em horários superpostos. Ainda conforme a reportagem do Estado, Matilde gastou em 2007 R$ 171,5 mil com o cartão. Destes, R$ 127,7 mil correspondiam a aluguel de carros, quase sempre da mesma empresa, a Localiza. A auditoria da CGU também recomendou a devolução de R$ 745,80, referentes a despesas indevidas com alimentação: ela teria pago refeições de terceiros. Apontou ainda falhas formais, como comprovantes com "descrições genéricas", e documentação "incompleta e mal organizada". O gasto de R$ 461,16 em uma duty free de aeroporto internacional não foi detalhado ou qualificado pelos auditores da CGU.

Tudo o que sabemos sobre:
Matilde RibeiroCPI dos Cartões

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.