CPI ouvirá Gedimar e Lacerda nesta terça

A 20 dias de seu término, a CPI dos Sanguessugas ouvirá nesta terça-feira mais dois envolvidos na tentativa de compra do dossiê contra tucanos, Gedimar Passos - advogado preso com o R$ 1,75 milhão, que seria usado na negociação - e Hamilton Lacerda - ex-coordenador da campanha ao governo de São Paulo do senador Aloizio Mercadante e apontado como o ´homem da mala´ que levou o dinheiro ao hotel. Nas duas últimas semanas, CPI já ouviu os depoimentos de Valdebran Padilha - que foi preso junto com Gedimar -, Jorge Lorenzetti, Expedito Veloso e Osvaldo Bargas. Todos eles estão envolvidos no escândalo. Gedimar deveria ter sido ouvido na última terça-feira, mas apresentou atestado médico para justificar sua ausência e a comissão acabou remarcando seu depoimento para esta semana. À Polícia Federal, ele havia dito que o mandante da operação era Freud Godoy, ex-assessor especial da Presidência, mas depois recuou dessa versão. A PF aponta Jorge Lorenzetti, ex-coordenador da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, como mentor da ´negociação´, o que ele também nega. Em depoimento na semana passada à CPI, Valdebran Padilha, outro envolvido no caso, afirmou que as negociações para a compra do dossiê ficaram a cargo de Gedimar e Expedito Veloso, ex-diretor do Banco do Brasil. Fato que o petista deverá explicar nesta terça. Já a situação de Lacerda ficou ainda mais comprometida com o depoimento à PF do senador Mercadante, que afirmou não ser ´factível´ a versão apresentada pelo seu ex-assessor de que levava boletos de contribuição de campanha em uma das sacolas que deixou no hotel onde os petistas foram presos. O senador disse ainda que as funções de Lacerda eram supervisionar a elaboração de seus programas eleitorais veiculados na TV e coordenar a campanha na região do ABC paulista. Segundo Mercadante, Lacerda não tinha qualquer função financeira em sua campanha e desconhecia que ele fizesse arrecadação de fundos com boletos na campanha presidencial.CruzamentoAlém disso, o cruzamento feito pela CPI entre telefonemas dados pelos "aloprados" e imagens no hotel Íbis complicam ainda mais a vida do ex-assessor de Mercadante. Seis horas antes de Gedimar e Valdebran serem presos, Lacerda entrou no hotel com uma pasta marrom e duas sacolas. E depois de encontrar-se no saguão com Gedimar e subir no elevador, Hamilton telefonou para Jorge Lorenzetti. Lacerda ligou para Lorenzetti à meia noite e 33 minutos do dia 15. Falou com ele durante um minuto e oito segundos. Pelas imagens das câmeras internas do hotel, à meia noite e 14 minutos, Hamilton entrou no elevador com Gedimar. Os dois subiram com uma pasta marrom e duas sacolas. A Polícia Federal suspeita que R$ 780 mil, em reais e em dólares, estavam dentro dessas sacolas. No dia 13, Lacerda teria levado R$ 1 milhão ao hotel, de acordo com as investigações da PF. Na ocasião, o ex-assessor de Mercadante também telefonou para Lorenzetti um minuto depois de deixar o hotel Íbis. Dossiê e origem do dinheiroO chamado dossiê Vedoin continha um CD, fotos e alguns documentos envolvendo os dois tucanos na máfia das ambulâncias - esquema liderado pela Planam, que vendia ambulâncias superfaturadas a prefeituras de todo o Brasil. As irregularidades deste caso foram descobertas meses antes pela PF e chegaram a movimentar R$ 110 milhões com o envolvimento de funcionários de diversosNo final de outubro, a agência de câmbio Vicatur, de Foz do Iguaçu, na Baixada Fluminense, montou um "laranjal" com pessoas de famílias humildes que emprestavam seus CPFs para operações ilegais. Algumas tiveram seus nomes incluídos sem sequer saberem. Os donos da empresa, Fernando Ribas e Sirlei Chaves, foram indiciados por fraude cambial e uso de documento falso.Em relação à Vicatur, a PF desconfia que possa haver duas famílias envolvidas como laranjas no esquema. Uma delas, já mapeadas, comprou o equivalente a US$ 280 mil na Vicatur. O montante adquirido pela outra família ainda está sendo levantado, mas pode ter sido superior a US$ 100 mil. A PF não sabe ainda para onde foi a parte que excedeu os US$ 248,8 mil que seriam usados para pagar o dossiê.Colaborou Eugênia LopesEste texto foi alterado às 19h23 para acréscimo de informação

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