CPI nega pedido de adiamento do depoimento de Protógenes

Delegado que comandou Satiagraha alega curso; presidente da comissão diz que desculpa 'não é aceitável'

Ana Paula Scinocca, de O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2008 | 17h46

O presidente da CPI dos Grampos, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), indeferiu nesta terça-feira, 5,  o pedido feito pelo delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz para que fosse adiado o seu depoimento à Comissão marcado para amanhã. Em ofício de três páginas, o delegado que comandou a operação Satiagraha pede a transferência de seu depoimento, alegando participação em curso de aperfeiçoamento na Academia Nacional de Polícia.   Veja também: Justiça adia depoimento de Chicaroni Entenda como funcionava o esquema criminoso  As prisões de Daniel Dantas   Para Itagiba, "a escusa não é aceitável". Ao ser informado da decisão da CPI, o advogado de Protógenes, Renato Andrade, disse à Agência Estado que entrará amanhã com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir o direito de seu cliente. "O Protógenes não está se furtando a comparecer à CPI. Apenas pediu adiamento, pois não pode ter uma única falta no curso ou será reprovado", afirmou.   A Operação Satiagraha levou à prisão Dantas, o megainvestidor Naji Nahas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta - todos três já soltos -, empresários e doleiros suspeitos de envolvimento em suposto esquema de desvio de recursos públicos, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.     Recesso   A CPI dos Grampos na Câmara retoma seus trabalhos nesta quarta-feira, depois do recesso do Congresso, com o depoimento do delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz. Responsável pelo inquérito que deu origem à Operação Satiagraha - que levou à prisão, entre outros, o investidor Naji Nahas, o ex-prefeito Celso Pitta e o banqueiro Daniel Dantas -, Protógenes foi afastado pela cúpula da PF das investigações no mês passado.   Oficialmente, o delegado saiu de cena para realizar curso presencial superior da PF, iniciado no último dia 21. Mas é fato que houve descontentamento por parte do governo e de setores da Polícia Federal com a maneira com que Protógenes conduziu os trabalhos da Satiagraha. A avaliação desses setores é que ocorreram excessos.   Com maioria na CPI dos Grampos - apenas oito dos 22 deputados que integram a comissão parlamentar de inquérito são da oposição -, não é das melhores a expectativa em relação ao depoimento de Protógenes. O governo chegou, até mesmo, a manobrar para que o delegado da Satiagraha não comparecesse à CPI alegando não poder se ausentar de seu curso para falar ao Congresso. Por fim, na semana passada, o próprio Queiroz confirmou, segundo integrantes da CPI, sua presença na comissão.

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