CPI mista da Petrobrás vota convocação de Costa, Youssef e Cerveró nesta terça

Plano de trabalho da comissão terá quatro eixos: Pasadena, pagamento de propinas na SBM, Abreu e Lima e plataformas

Ricardo Brito, O Estado de S. Paulo

02 Junho 2014 | 19h53

A CPI mista da Petrobrás deve votar na tarde desta terça-feira, 3, o plano de trabalho proposto nesta segunda pelo relator da comissão, deputado Marco Maia (PT-RS), que quer ouvir prioritariamente os ex-diretores da estatal Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró e o doleiro Alberto Youssef.

"Esses aqui, na minha compreensão, deveriam ser os primeiros a serem ouvidos. Depois, na sequência, deveríamos ouvir outros”, sugeriu Marco Maia, durante a segunda reunião da CPI mista. Ele não expôs as razões da escolha para tomar o depoimento do trio logo no início dos trabalhos da Comissão.

Paulo Roberto foi preso por tentativa de obstrução das investigações da Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal, e solto recentemente por decisão do Supremo Tribunal Federal. Alberto Youssef, considerado o alvo principal pela Polícia Federal, continua preso. Nestor Cerveró foi o responsável pelo resumo executivo que levou a presidente Dilma Rousseff, quando presidia o Conselho de Administração da Petrobrás, a aprovar a compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA).

Maia apresentou uma lista de 221 requerimentos para serem aprovados em bloco, entre convocações, quebras de sigilo e acesso a informações. Ele disse que seu plano de trabalho é uma referência, mas não é “conclusivo”, podendo ser alterado ao longo das investigações.

Até o momento, a comissão já recebeu mais de 600 requerimentos.

Foi o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), quem anunciou ter concedido vista coletiva aos parlamentares do plano de trabalho apresentado. Assim como previsto no requerimento de criação da comissão, Marco Maia quer investigar quatro eixos: a refinaria de Pasadena, as denúncias de pagamento de propina pela SBM, os problemas com plataformas e as obras da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, entre outras.

O relator disse que seria melhor ouvir depois o ex-presidente da Petrobrás Sérgio Gabrielli e a atual presidente da estatal, Maria das Graças Foster. Segundo ele, os dois já depuseram outras vezes tanto na CPI exclusiva do Senado como em comissões temáticas da Câmara e do Senado. A oposição e integrantes da base aliada, como o peemedebista Lúcio Vieira Lima (BA), disseram não ver problemas em aprovar a convocação dos dois logo. Marco Maia propôs também que se aprovem pedidos de informações de outros órgãos, como a Justiça do Paraná, o Ministério Público, o Tribunal de Contas da União e a Controladoria Geral da União.

O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) criticou o plano de trabalho, lembrando que há na relação pedidos de investigação que envolvem o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Um dos mencionados é o ex-diretor da Agência Nacional de Petróleo David Zylbersztajn, ex-genro de FHC. Para o deputado do DEM, não há problemas em investigar governos passados, mas o foco da CPI são as denúncias que estão sendo reveladas atualmente.

Na sua fala final, o relator ainda sinalizou que, por ora, não é favorável à sugestão feita pelos oposicionistas de criar subrelatorias. “Nós precisamos conversar mais sobre o tema, mas acho que, neste momento, em função do trabalho que está colocado, não há essa necessidade”, disse. “Mas no decorrer da investigação pode ser que surjam temas em que precisaremos nos aprofundar e deslocar alguém para trabalhar”, completou. 

Notícias relacionadas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.