CPI mista da Petrobrás vai ouvir auditor em sessão secreta

Secretário do Tribunal de Contas da União é convocado para explicar divergências em relatórios sobre compra da refinaria de Pasadena

Ricardo Brito, Agência Estado

23 de julho de 2014 | 16h46

 

Brasília, - A CPI mista da Petrobrás decidiu nesta quarta-feira, 23, ouvir em sessão secreta o depoimento do secretário de Controle Externo da Administração Indireta no Rio de Janeiro do Tribunal de Contas da União (TCU), Osvaldo Perrout. Ele foi convocado pela comissão para falar sobre os relatórios da área técnica do TCU que apresentaram posições divergentes a respeito da compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA).

Enquanto um dos relatórios da área técnica sugeria a responsabilização da presidente Dilma Rousseff e de outros ex-integrantes do Conselho de Administração da Petrobrás, outra manifestação propunha livrar Dilma e os demais conselheiros de responsabilidade no negócio.

No início dos trabalhos, o presidente da CPI, Vital do Rêgo (PMDB-PB), leu o pedido do auditor do TCU para que fosse ouvido em sessão reservada. Perrout alegou que o TCU avaliou informações consideradas sigilosas pela própria Petrobrás e que seu eventual vazamento poderia constituir crime.

O deputado da oposição Rodrigo Maia (DEM-RJ) protestou contra o pedido. Segundo ele, todas as informações sobre o caso envolvendo a compra de Pasadena já foram vazadas e são de conhecimento público. "Não há nenhuma necessidade de esta sessão ser secreta", criticou.

O presidente da comissão, a quem compete avaliar a questão, atendeu ao pedido. "Esta presidência vai decidir pela reunião reservada por força da lei e da necessidade regimental", afirmou. Dessa forma, apenas os deputados e senadores da CPI vão poder acompanhar o depoimento.

Pasadena. Em março, a presidente Dilma Rousseff afirmou em nota ao Estado que não teria aprovado a compra de metade da refinaria norte-americana quando era presidente do Conselho da Petrobras se tivesse tido acesso a todos os dados da operação em 2006.

O ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró omitiu em seu relatório cláusulas referentes à operação. A Petrobrás contabiliza em seus balanços um prejuízo de US$ 530 milhões com a compra de toda a refinaria.

Na tarde desta quarta, os ministros do TCU também analisam o caso. O relator do processo na Corte, José Jorge, deve isentar Dilma e os demais conselheiros de responsabilidade pelos prejuízos ocorridos com a operação.

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