Geraldo Bubniak
Geraldo Bubniak

CPI manobra para ouvir discretamente operador do PMDB

Comissão vai interrogar Fernando Baiano na cadeia, ao contrário do que fez com Duque, que depôs na Câmara mesmo após prisão

Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

14 Abril 2015 | 17h03

Atualizado às 22h15

Brasília - O PMDB manobrou nesta terça-feira, 14, na CPI da Petrobrás e conseguiu aprovar que a oitiva de Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado como um dos operadores do partido no esquema de corrupção na estatal investigado pela Operação Lava Jato, seja em sessão fechada em Curitiba, onde ele está preso. O formato difere do ocorrido com o ex-diretor de Engenharia e Serviços da estatal Renato Duque, que também estava preso, mas foi ouvido em sessão aberta na Câmara, em Brasília.

O depoimento de Duque, suspeito de ligação com propinas repassadas ao PT, foi aberto por decisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que autorizou uma exceção a ato da Mesa Diretora da Câmara que proíbe a oitiva de presos nas dependências da Casa. Por decisão do peemedebista, a regra foi suspensa por um dia para o depoimento de Duque.

Na ocasião, a alegação foi de que a convocação de Duque foi aprovada quando o ex-diretor estava em liberdade – beneficiado por um habeas corpus que suspendeu a primeira ordem de prisão emitida contra ele. A mesma justificativa foi usada ontem pela comissão, dominada pelo PMDB, para explicar por que foram adotados modelos diferentes de oitiva.

Os petistas pressionaram em vão para que Baiano fosse ouvido em Brasília. “Não podemos suspender o Ato da Mesa para ouvir um detento e não fazer o mesmo em relação a outro. São dois pesos e duas medidas”, disse o deputado Valmir Prascidelli (PT-SP). 

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O presidente da CPI, Hugo Motta (PMDB-PB), disse que pediria a Cunha que abrisse nova exceção. “Irei insistir com o presidente, mas não posso ser refém desse ato.” Ele deixou a sessão sem ter uma resposta de Cunha e disse não ter certeza se seria possível liberar o acesso ao depoimento a jornalistas, como pedido por deputados do PT. Isso também ficou indefinido.

Empreiteiros. Na tarde de ontem também foram aprovados as convocações de executivos de seis empreiteiras: OAS (José Ricardo Nogueira Breghirolli, Agenor Magalhães Medeiros, Mateus Coutinho Oliveira, José Aldemario Pinheiro Filho); Camargo Corrêa (Eduardo Hermelino Leite, Dalton Avancini e João Ricardo Auler); Engevix (Gerson Almada); Mendes Júnior (Sérgio Cunha Mendes, Adir Assad); UTC (Ricardo Ribeiro Pessoa); e Galvão Engenharia (Erton Fonseca, Dario de Queiroz Galvão Filho).

A CPI também aprovou a oitiva de dois supostos operadores do esquema – Mário Goes e Guilherme Esteves – e do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró.

Ao todo foram aprovados 57 requerimentos, incluindo o envio de uma comitiva a Londres para colher o depoimento do ex-diretor da empresa holandesa SBM Offshore Jonathan David Taylor. Ele disse ao jornal Folha de S.Paulo que a Controladoria-Geral da União (CGU) recebeu durante a campanha eleitoral de 2014 provas de que a multinacional pagou propina para fazer negócios com a Petrobrás, mas o órgão só abriu processo após a reeleição da presidente Dilma Rousseff. 

A programação de viagens dos deputados incluirá uma “visita técnica” à sede da Petrobrás, no Rio, e a unidades da estatal, além de uma visita ao Departamento de Justiça dos EUA e à Securities ans Exchange Commission (SEC, equivalente à Comissão de Valores Mobiliários brasileira) para acompanhar as investigações sobre violações à lei de combate de corrupção transnacional. 

“Até acho que neste momento o quanto vai se gastar (em viagens) é irrelevante. O que o Brasil quer é que as pessoas sejam punidas. Não queria ver em nenhum jornal a CPI ser questionada pelo custo de uma viagem a Curitiba”, afirmou Motta.

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