CPI ligou Dantas a valerioduto em 2006

Comissão dos Correios levantou denúncias e propôs indiciamento

Marcelo de Moraes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

09 de julho de 2008 | 00h00

No relatório da CPI dos Correios, o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) dedicou 20 páginas às supostas irregularidades envolvendo Daniel Dantas com o valerioduto. À época do trabalho, concluído em abril de 2006, Serraglio propôs o indiciamento de Dantas por suspeita de tráfico de influência, sonegação fiscal e corrupção ativa.Segundo a CPI, empresas controladas por Dantas foram abastecedoras do valerioduto, injetando recursos nas firmas do empresário Marcos Valério, que os teria repassado para políticos e autoridades. Valério é réu no processo do mensalão.No texto, Serraglio descreve a existência de uma rede de troca de recursos, tráfico de influência e pagamentos entre as empresas de Valério e as gerenciadas por Dantas e cita até a destruição de notas fiscais que mostrariam a natureza dos serviços prestados.No capítulo intitulado O Opportunity e o Esquema Marcos Valério, o relatório da CPI diz que "no curso das investigações revelou-se que a Telemig Celular S/A e Amazônia Celular S/A eram dois dos principais clientes das empresas de Marcos Valério Fernandes de Souza, confessadamente o operador dos pagamentos feitos a parlamentares"."O senhor Daniel Valente Dantas é o fundador do Grupo Opportunity, que gere recursos próprios e de terceiros por intermédio de fundos de investimentos e empresas com sede no Brasil e no exterior. O Grupo Opportunity, por intermédio do Opportunity Fund, é o controlador das empresas Telemig Celular S/A, Amazônia Celular S/A e, durante o período compreendido entre 1998 e setembro de 2005, da Brasil Telecom S/A", narra o deputado. O relatório da CPI afirma que "empresas controladas pelo Grupo Opportunity, Telemig Celular S/A e Amazônia Celular S/A realizaram em conjunto pagamentos da ordem de R$ 152.458.434,00 desde 2000".Segundo o documento, a partir de 2003, a situação teria se complicado quando as empresas de Dantas perderam o controle dos recursos de fundos de pensão de empresas controladas pelo setor público."O Sr. Dantas não mediu esforços e canalizou recursos das citadas empresas para as de Marcos Valério, que os distribuiu entre seus interlocutores com o intuito de auxiliar o Sr. Dantas a restabelecer-se. É fato que o Sr. Dantas quase logrou êxito em sua empreitada, não fosse a brusca guinada política, provocada pela revelação do esquema", explica no texto.A primeira ligação entre Valério e Dantas foi feita em meados de 2005 pela ex-secretária da SMPB Comunicação - agência de publicidade de Valério - Fernanda Karina Somaggio à Polícia Federal. Ela disse que Valério "sempre conversava ao telefone" com Dantas. O empresário alegou que mantinha relação comercial com ele em razão de contas publicitárias.A assessoria de Valério informou que ele não falaria sobre a operação da Polícia Federal, alegando que "não tinha nada a ver com a investigação".COLABOROU EDUARDO KATTAH

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.