CPI indicia 4 empresas por corrupção em prefeituras

Quatro empresas que integram uma lista de mais de 30 prestadoras de serviços para prefeituras do interior paulista serão indiciadas pela CPI do Narcotráfico, por lavagem de dinheiro e receptação e venda de cargas roubadas. Os nomes e os resultados das investigações em torno das outras 26 empresas da lista serão encaminhadas para o Ministério Público, assim que a CPI divulgar o seu relatório final, o que deverá ocorrer nos próximos dez dias.De acordo com o relatório final, estas empresas teriam se especializado em vender medicamentos roubados, com preços superfaturados, para prefeituras do interior. Elas também se encarregavam de lavar o dinheiro originado da corrupção nas prefeituras.O relatório final já está concluído e deverá ser discutido nesta terça-feira na Assembléia Legislativa de São Paulo pelos sub-relatores da comissão. "Se os sub-relatores concordarem com o texto final, poderemos manter o cronograma e divulgar o relatório na quinta-feira", afirma o presidente da CPI, Dimas Ramalho (PPS).As empresas citadas no relatório começaram a ser investigadas pela CPI no final do ano passado. Elas eram suspeitas de lavarem dinheiro para o narcotráfico e para o crime organizado. "As suspeitas ainda continuam, mas não conseguimos provas da ligação delas com o tráfico de drogas", afirma o relator da CPI, deputado Renato Simões (PT).Simões diz que as operações ilícitas das empresas com a corrupção nas prefeituras e com a venda de medicamentos roubados "estão fartamente documentadas" no relatório final."A empresa Keler e Rodrigues S/C, por exemplo, recebia dinheiro de prefeituras e emitia notas frias de serviços que nunca realizou. Ela era controlada pelo Monobloco (o comerciante Luís Carlos Antunes da Silva, preso semana passada em Jardinópolis (SP) e acusado de tráfico internacional de drogas)", afirma Simões.Outras duas empresas, cujos nomes Simões não revelou, compravam cargas de medicamentos roubados e vendiam para prefeituras, com preços superfaturados. "Talvez existam casos de prefeituras que entraram como ´laranjas´ na história, mas em vários casos está comprovado o envolvimento de setores da administração com os crimes", sentencia Simões.

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