CPI é luta política, diz Prof. Luizinho

O vice-líder do governo na Câmara, Professor Luizinho (PT-SP) afirmou que quem está pedindo CPI sobre o caso Waldomiro Diniz, quer continuar na mesma linha do subprocurador da República, José Roberto Santoro, "de fazer luta política". Luizinho afirmou que o Ministério Público tem de apurar com rigor a atitude "gravíssima" do subprocurador que, de acordo com a divulgação de uma fita, teria tentado negociar com o empresário de jogos, Carlinhos Cachoeira, a entrega da fita que mostra Waldomiro Diniz pedindo propina. "Ele (Santoro) agiu de forma ilegal, na calada da noite, na tentativa de desestabilizar o governo, montando uma armadilha, em conluio com um agente do crime organizado", disse Luizinho. Para Luizinho esse ato dá veracidade à afirmação que o governo tem feito de que esse caso Waldomiro Diniz é uma luta política. Luizinho disse ainda que um dos resultados dessa ação do subprocurador foi a denúncia do Ministério Público Federal contra o presidente da Caixa Econômica Federal e diretores da instituição, por gestão fraudulenta e corrupção na renovação do contrato com a GTech, sem apontar os responsáveis diretos pelo contrato. "Agentes do Ministério Público estão namorando com o perigo", disse Luizinho.Atitude não foi normal para a função, diz GreenhalghO deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) considera que o subprocurador-geral da República José Roberto Santoro não teve uma atitude que possa ser considerada normal para a função. "Ele estava em um diálogo que não é normal a um procurador", argumentou Greenhalgh. "Ele estava dando constrangimento a uma pessoa com propostas não usuais para que lhe entregasse a fita", observou.Segundo o deputado, houve uma espécie de partidarização, com ataques ao governo e com desconfiança da Polícia Federal, do procurador-geral e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Não são argumentos de retórica em um debate como esse", afirmou o deputado. Ele ressaltou, ainda, que o subprocurador-geral sabia que estava em uma situação irregular, ao se preocupar com a possibilidade de chegada do procurador-geral da República, Cláudio Fonteles. "Se estivesse no exercício normal, não temeria a chegada do seu chefe. Ao contrário", observou. O deputado fez uma referência aos procuradores que investigam o caso Celso Daniel, em Santo André. "Isso significa que, quando critico os promotores de Santo André, é porque eles usam os mesmos métodos na ânsia de buscar provas para dar veracidade àquilo que acham que aconteceu", disse Greenhalgh. Segundo ele, o Ministério Público deve verificar a conduta ética de Santoro. Greenhalgh criticou, também, o procurador Marcelo Ceará Serra Azul, que denunciou o presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso. Segundo o deputado, o fato de o procurador participar da mesma reunião de Santoro e Carlos Cachoeira seria motivo para ele ficar legalmente impedido de oferecer denúncia contra o presidente da Caixa. "Ele beneficia Carlos Cachoeira, ao deixar de denunciá-lo, e deixa de ter condições funcionais", argumentou. Greenhalgh ressaltou, também, que Santoro não tomou depoimento de Carlos Cachoeira, no encontro que teve com ele, o que deveria ter sido feito, como procedimento normal. "Ele foi fazer uma coisa escusa, fazer um acerto para omitir o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) no episódio da fita de Waldomiro Diniz", afirmou, referindo-se ao fato de Paes de Barros ter tido, também, conhecimento da fita da reunião de Waldomiro Diniz com Carlos Cachoeira. Greenhalgh observou, também, que "há uma proximidade ostensiva do procurador Santoro com o PSDB".

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