CPI dos Sanguessugas pedirá quebra de sigilo de apenas 21 parlamentares

O relator da CPI dos Sanguessugas, senador Amir Lando (PMDB-RO), afirmou nesta sábado que vai pedir a quebra de sigilo bancário de somente 21 dos 90 parlamentares investigados pela comissão. Na última sexta-feira, ele havia informado que pediria a abertura do sigilo de todos os 90 deputados e senadores suspeitos de envolvimento no esquema de superfaturamento de ambulâncias pagas com recursos do orçamento federal. Mas, para ganhar tempo, ele reduziu o número de pedidos de quebra de sigilo.O senador informou que também vai recomendar a quebra de sigilo de cerca de 80 assessores e terceiros implicados de alguma forma no escândalo e que podem trazer informações adicionais sobre a participação de deputados e senadores. "Temos necessidade de quebrar o sigilo dos 80 assessores e terceiros porque eles receberam os recursos (da Planam)", afirmou.Segundo Lando, o critério para seleção dos parlamentares que terão suas contas bancárias analisadas é o fato de terem sido acusados de receber recursos em dinheiro vivo da Planam, dos empresários Luiz Antônio e Darci Vedoin, a empresa que operava o esquema. "Os parlamentares que receberam em espécie, no nosso entendimento, devem ter quebrado o sigilo bancário para verificar se houve circulação, se houve fluxo na conta desses recursos."O relator informou que vai desconsiderar no seu relatório preliminar seis parlamentares que foram citados nos documentos do Ministério Público, mas contra os quais não há qualquer prova, nem mesmo citação nos depoimentos dos Vedoin à CPI. Já com relação aos 63 parlamentares restantes, Lando avalia que os dados obtidos pela CPI são suficientes para mostrar o envolvimento desse grupo no esquema, mesmo sem quebra de sigilo. "Nós temos, por exemplo, os comprovantes de depósitos da Planam nas contas deles", afirmou.No relatório, que deve ser apresentado na próxima quinta-feira, o senador de Rondônia informou que vai fazer análises individualizadas das condutas dos parlamentares e do grau de envolvimento de cada um no esquema. "Ou seja, vamos fazer um resumo do comportamento de cada um à luz dos testemunhos, das gravações telefônicas, dos documentos, porque assim podemos formular um juízo de valor sobre cada um", argumentou.Durante entrevista coletiva concedida neste sábado, o relator evitou comentar se considerava adequada a permanência do senador Ney Suassuna (PB) na liderança do PMDB no Senado. As evidências sobre o envolvimento do senador no escândalo dos sanguessugas, que teria ocorrido por meio de seu assessor Marcelo de Carvalho, levou parlamentares do partido a pedir seu afastamento da liderança. Apesar de evitar engrossar o coro dos descontentes com seu líder, Lando ironizou a desculpa do assessor de Suassuna de que os R$ 29,5 mil recebidos da Planam seriam originados de uma intermediação de venda de barco. "Ninguém confirma essa história. Esse barco do Marcelo é furado."

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