CPI dos Sanguessugas ouve quatro ex-ministros da Saúde

A CPI dos Sanguessugas convidou quatro ex-ministros da Saúde para depor esta semana. José Serra e Barjas Negri, do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, devem comparecer nesta terça-feira. Humberto Costa e Saraiva Felipe, da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, têm audiência marcada nesta quarta-feira.Os quatro foram convidados, e não convocados pela CPI. Por conta disso, têm o direito de não comparecer se não quiserem. No entanto, segundo a Agência Câmara, o vice-presidente da comissão, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), acredita que, mesmo sem terem sido convocados, os ex-ministros comparecerão. O parlamentar, porém, admite pedir a convocação deles se os convites não forem atendidos.O objetivo dos depoimentos é esclarecer denúncias sobre o esquema de compras superfaturadas de ambulâncias.Dossiê VedoinPelo cronograma da CPI, os depoimentos de Gedimar Passos, Valdebran Padilha e Jorge Lorenzetti, acusados de envolvimento na compra do dossiê contra os tucanos, ficaram para o dia 21 de novembro.Já Oswaldo Bargas e Expedito Veloso, acusados de envolvimento na compra do dossiê contra tucanos, devem ser ouvidos no próximo dia 22. Inicialmente, esses depoimentos estavam marcados para o dia 14 deste mês.O episódio do caso dossiê começou há 51 dias. Em 15 de setembro, a Polícia Federal prendeu em Cuiabá um dos donos da Planam, Luiz Antonio Vedoin, e seu tio Paulo Roberto Trevisan, que estavam negociando a venda de informações contra os candidatos tucanos José Serra (ao governo de São Paulo) e Geraldo Alckmin (à Presidência da República). Depois da prisão de Vedoin e Trevisan, a PF de Mato Grosso avisou a de São Paulo, que horas depois prendeu na capital outros dois integrantes do esquema, os petistas Valdebran Padilha e Gedimar Passos. Eles estavam com parte dos R$ 1,75 milhão que seriam usados na compra do material pelo PT. Gedimar disse à Polícia que o mandante da operação era Freud Godoy, ex-assessor especial da Presidência. Mas, relatório parcial da PF aponta Jorge Lorenzetti, ex-coordenador do setor de inteligência da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, como mentor da ´negociação´. Durante as investigações, outras figuras próximas ao presidente aparecem no caso: Ricardo Berzoini, ex-coordenador de campanha de Lula e ex-presidente nacional do PT; Hamilton Lacerda, ex-assessor de Aloizio Mercadante; Expedito Veloso, do Banco do Brasil; Oswaldo Bargas, ex-Ministério do Trabalho. Além desses, recente rastreamento telefônico autorizado pela Justiça também revelou telefonemas do chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, para Lorenzetti e dele para o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu. O chamado dossiê Vedoin continha um CD, fotos e alguns documentos envolvendo os dois tucanos na máfia das ambulâncias - esquema liderado pela Planam, que vendia ambulâncias superfaturadas a prefeituras de todo o Brasil. As irregularidades deste caso foram descobertas meses antes pela PF e chegaram a movimentar R$ 110 milhões com o envolvimento de funcionários.Este texto foi alterado às 19h45 com inclusão de informação

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