CPI dos Sanguessugas diverge sobre número de envolvidos

Os integrantes da CPI dos Sanguessugas ainda não chegaram a um consenso sobre o número de parlamentares envolvidos no esquema de compra ilegal de ambulâncias com recursos do orçamento, embora tenham a mesma fonte de informação: o empresário Luiz Antonio Vedoin, um dos sócios da Planam.O vice-presidente da CPI, deputado Raul Jungmann (PPS-PE) disse nesta segunda-feira ter dados suficientes que confirmam a participação de cerca de 80% dos 112 parlamentares acusados. Ele disse que as provas incluem gravações telefônicas e cópias de depósitos bancários, entre outros comprovantes. "As dúvidas são quanto aos que receberam em dinheiro vivo, por exemplo, por ser fato de difícil comprovação", afirmou. Jungmann afirmou que ainda hoje vai apresentar um requerimento para que CPI notifique todos os demais parlamentares denunciados pelo empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin para que apresentem suas defesas por escrito. Até agora a CPI só notificou os 57 que estão sendo investigados pelo Ministério Público e pelo STF. Com base no depoimento de Vedoin, seriam 112, sendo que, desses, cinco ex-parlamentares, segundo reportagem publicada pela revista Veja. Duas categoriasO sub-relator da CPI, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), afirmou, após deixar a sede da Polícia Federal em Brasília, que há 99 parlamentares citados nas conversas telefônicas mantidas entre Luiz e Darci Vedoin, sócios da empresa Planam. Sampaio obteve a transcrição das fitas com a polícia. Para ele, os documentos apresentam duas categorias de diálogos: nos primeiros, as referências e as quantias que o parlamentar ou o assessor iriam receber são claras, enquanto em outros diálogos o nome do parlamentar é apenas citado, sem provas de envolvimento.O sub-relator afirmou que pretende concluir as investigações esta semana, para poder pedir a quebra de sigilo bancário dos parlamentares envolvidos. Sampaio defendeu a inclusão de todos os parlamentares mencionados nas conversas entre os sócios da Planam, além dos 57 já notificados, no relatório parcial da comissão, que deverá ser apresentado em 18 de agosto.Contra divulgaçãoO sub-relator de investigação de parlamentares, deputado Júlio Delgado (PSB-MG), disse nesta segunda-feira à Rádio Eldorado que é contra a divulgação dos nomes de todos os suspeitos de terem sido beneficiados com o esquema. Para Delgado, é necessário analisar os documentos e diferenciar cada caso. "A lista que está sendo divulgada, com mais de 100 nomes, tem que ser confirmada para ver se realmente existe o envolvimento de parlamentares. Eu acredito na participação de 60, 70 deputados e dois a três senadores", afirmou.Delgado defende a implantação do voto aberto na Câmara e aguarda a provação do projeto que exige que os processos de cassação continuem caso esses políticos sejam reeleitos.

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