CPI dos Sanguessugas adia leitura do relatório final

A leitura do relatório final da CPI dos Sanguessugas foi remarcada para esta quinta-feira. O prazo final para a conclusão dos trabalhos da comissão é dia 19, próxima terça-feira. Na avaliação do presidente da CPI, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), o relatório será conclusivo e apresentará resultados, apesar de não avançar na investigação sobre a origem do dinheiro que seria usado por petistas para a compra do dossiê contra políticos tucanos.O relatório final da CPI dos Sanguessugas deve propor ao Ministério Público o indiciamento de apenas quatro envolvidos na compra de um dossiê contra políticos tucanos. Com cerca de 800 páginas, o texto será apresentado na quarta-feira e vai apontar Jorge Lorenzetti, que trabalhava no comitê da campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como mandante do crime.Deverão ser enquadrados em crime contra o sistema financeiro de Valdebran Padilha e Gedimar Passos, presos no em 15 de setembro com R$ 1,75 milhão num hotel de São Paulo. Hamilton Lacerda, ex-assessor do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), será acusado de ter levado o dinheiro para Valdebran e Gedimar. Tanto ele quanto Lorenzetti também serão alvo de pedido de indiciamento por crime contra o sistema financeiro.O relatório final da comissão não vai revelar, no entanto, a origem do dinheiro que seria usado para a compra de documentos que iriam sugerir o envolvimento de políticos tucanos com a máfia das ambulâncias, segundo o relator da CPI, senador Amir Lando (PMDB-RO).ArquivoO relatório final também não vai trazer os nomes de 72 parlamentares - 69 deputados e 3 senadores - acusados de envolvimento com a máfia das ambulâncias, informou Lando. Em agosto, a CPI enviou aos Conselhos de Ética da Câmara e do Senado o nome dos parlamentares que fariam parte do esquema de apresentação de emendas ao Orçamento da União para compra superfaturada de ambulâncias. Os três senadores - Ney Suassuna (PMDB-PB), Magno Malta (PL-ES) e Serys Slhessarenko (PT-MT) - acabaram inocentados. Dos 69 deputados, dois renunciaram ao mandato e apenas cinco se reelegeram. Os processos contra os não-reeleitos serão arquivados.No relatório final, Amir Lando não vai pedir o indiciamento de nenhum ex-ministro da Saúde. Deverá apontar, no entanto, que o esquema das sanguessugas existe desde o governo Fernando Henrique. O relatório também vai isentar o PSB, que comanda o Ministério da Ciência e Tecnologia, de envolvimento com a máfia das ambulâncias.

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