CPI dos Grampos quer ouvir Dantas, Nahas e Guskiken

Pedido para convocação foi feito na quinta passada, após prisão. Recesso parlamentar atrasará depoimento

Ana Paula Scinocca, da Agência Estado,

13 de julho de 2008 | 18h37

A CPI dos Grampos na Câmara vota na terça-feira, 15, os requerimentos para a convocação do banqueiro Daniel Dantas, do investidor Naji Nahas e do ex-ministro Luiz Gushiken (Comunicação de Governo). Os pedidos foram apresentados na quinta-feira passada, dois dias depois de Dantas e Nahas terem sido presos pela Polícia Federal durante a Operação Satiagraha. Na avaliação de integrantes da Comissão, os três requerimentos devem ser aprovados. Como o recesso parlamentar começa, oficialmente, na sexta-feira, e dura 15 dias, a tendência é que, em caso de aprovação, os depoimentos sejam marcados apenas para a primeira semana de agosto.   Veja também: Gilmar Mendes considera 'normal' reação dos juízes Daniel Dantas espionou juízes paulistas, afirma PF Delegados da PF criticam decisão do presidente do STF  Leia a íntegra e saiba quem são os juízes que assinam o manifesto Após habeas-corpus, Daniel Dantas deixa prisão em São Paulo Opine sobre nova decisão que dá liberdade a Dantas  Íntegra da decisão assinada pelo presidente do STF  Você concorda: não há mais intocáveis no País  Entenda como funcionava o esquema criminoso  Veja as principais operações da PF desde 2003  Entenda o nome da Operação Satiagraha, que prendeu Dantas      Neste domingo, porém, o autor dos pedidos de convocação, o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), disse ao Estado que vai trabalhar para que a CPI funcione durante a folga dos parlamentares. "Vou provocar para que a CPI continue funcionando mesmo no recesso. Há precedente", lembrou, referindo-se às CPIs dos Correios, em 2005, e à CPI do Apagão Aéreo, em 2007, que não tiveram suas atividades paralisadas durante o recesso.   Como a convocação, para ser aprovada, tem de estar relacionada com o objeto da CPI, a saída encontrada será questionar o banqueiro Daniel Dantas sobre a contratação da Kroll, líder mundial entre as empresas de investigação, pela Brasil Telecom (BrT). A Kroll é suspeita de, a mando da Brasil Telecom, ter grampeado integrantes do governo, que estariam favorecendo os negócios da Telecom Itália, rival de Daniel Dantas. A Telecom Italia havia passado de aliada a adversária comercial do banqueiro.   Fruet disse que a reportagem publicada na edição de ontem do Estado, e que mostra que Dantas pode ter contratado um coronel da reserva do Exército israelense (ex-funcionário da Kroll)para investigar juízes, só reforça a necessidade de convocação do banqueiro. "É mais um forte indício, o que reforça a necessidade de ele ser ouvido", afirmou.   Já no caso de Nahas, a justificativa para a convocação é sua ligação com a Telecom Italia. Nahas diz ter atuado como consultor do grupo italiano, trabalho pelo qual teria recebido R$ 3 milhões. Em relação a Gushiken, a CPI quer ouvir o ex-ministro pelo fato de ele ter agido, no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para evitar aproximação de Dantas com o governo. Na ocasião, o banqueiro disputava com fundos de pensão ligados a Gushiken o controle da Brasil Telecom.   Greenhalgh   Também na terça-feira, Fruet vai apresentar um novo requerimento, desta vez solicitando a presença na comissão do ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP). Em grampos feitos pela PF e que constam no inquérito da Operação Satiagraha, o petista aparece falando, em 29 de maio, com o chefe de Gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, sobre a investigação em curso. No diálogo, Greenhalgh pede que Carvalho "levante isso daí".   Além da sessão de terça, marcada para as 14h30, a CPI dos Grampos tem outra reunião já agendada para quarta-feira, no mesmo horário. A comissão também precisa decidir pela aprovação ou não de outros dois pedidos de informação. Um deles para que a Polícia Federal encaminhe à comissão cópias de documentos da chamada Operação Chacal, que investigou a multinacional americana - acusada de usar métodos ilegais de busca de informações. O outro pede que a Kroll disponibilize os relatórios que elaborou sobre a empresa Brasil Telecom.   Operação Satiagraha   A Operação Satiagraha foi deflagrada na terça-feira da semana passada pela Polícia Federal com o objetivo de desmontar organização criminosa que praticava desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro e usava ilegalmente informação privilegiada, entre outros crimes. Na ação, os policiais prenderam no mesmo dia os supostos chefes do esquema - Dantas, Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta.   Ao todo, foram expedidos 24 mandados de prisão e 56 de busca e apreensão. Hoje, apenas um dos acusados permanece preso preventivamente - Hugo Chicaroni, emissário de Dantas que tentou subornar um delegado da PF para que retirasse do inquérito da Satiagraha os nomes do banqueiro e de seus parentes. Entre os pedidos de prisão que foram negados à polícia está o de Greenhalgh.   Ao longo da semana, Dantas protagonizou um entra-e-sai da carceragem da PF em São Paulo, resultado de seqüência de decisões judiciais do Supremo Tribunal Federal e da 6ª Vara Federal de São Paulo. Por um lado o juiz Fausto Martin De Sanctis mandava prender o banqueiro, enquanto do outro o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, determinava sua libertação, alegando que a prisão era desnecessária.

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