CPI dos Grampos quer acesso a inquérito

A CPI dos Grampos retoma seus trabalhos amanhã com o objetivo de ter acesso ao inquérito no qual a Polícia Federal teria identificado pelos menos dois crimes cometidos pelo delegado Protógenes Queiroz, que comandou a Operação Satiagraha: violação de sigilo funcional e interceptação de comunicações telefônicas e telemáticas sem autorização judicial. "Temos de ter acesso ao inquérito e aprofundar as informações. Os fatos novos expõem novamente a falta de autoridade e obrigam a comissão a tomar posicionamentos. Se as investigações não forem aprofundadas, teremos que encerrar os trabalhos e produzir o relatório final", disse Gustavo Fruet (PSDB-PR).A comissão, que retoma suas atividades depois de pausa de três semanas, também pretende submeter à votação requerimentos considerados fundamentais para a continuidade da CPI.Um deles diz respeito à convocação do delegado Amaro Vieira Ferreira, para explicar a suspeita do Ministério Público de que jornalistas tiveram o sigilo telefônico quebrado no âmbito das investigações para detectar a origem do vazamento ocorrido na Satiagraha. A Polícia Federal nega.O outro pede a convocação do procurador da República Roberto Dassié, coordenador do controle externo das atividades policiais. Na semana passada, Dassié declarou que Amaro teria quebrado o sigilo telefônico de dezenas de aparelhos da Nextel sem autorização judicial. O requerimento que pede a convocação de Amaro foi protocolado pelo presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), e por Fruet. O pedido de convocação de Dassié também foi apresentado por Itagiba.Além de considerar fundamental a ida de Amaro à CPI, Fruet solicitou informações ao juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Federal. O magistrado autorizou os pedidos de Amaro para busca e apreensão contra agentes que atuaram na Satiagraha.Outros requerimentos polêmicos - como os que solicitam a convocação do chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, e do ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT) - também estão à espera de votação pela CPI. PRORROGAÇÃOO presidente da comissão já defendeu publicamente ser favorável à prorrogação, por mais 90 dias, dos trabalhos. Caso os requerimentos sejam aprovados, a idéia do relator Nelson Pellegrino (PT-BA) é tomar os novos depoimentos até o início do recesso parlamentar do Congresso, no dia 18 de dezembro. Janeiro e fevereiro seriam utilizados para a redação do relatório final.

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